Espetáculo De Né Barros Abre Dias Da Dança No TNSJ No Porto

Em estreia absoluta no Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, Muros, a nova criação da coreógrafa Né Barros, é o espetáculo de abertura do Festival Dias da Dança 2017. O espetáculo, cuja última apresentação será a 29 de abril – Dia Mundial da Dança, é uma reflexão sobre a questão do “outro” num mundo cada vez mais centrado na figura do “eu”.

O dispositivo cénico de Muros foi criado pelo premiado João Mendes Ribeiro e consiste numa estrutura que não permite aos bailarinos (Bruno Senune, Elisabete Magalhães, Flávio Rodrigues, Gonçalo Cabral e Joana Castro) verem-se ou tocarem-se, reforçando a ideia-chave das barreiras – materiais ou virtuais – que impõem uma distância e uma imobilidade. O espetáculo convoca, segundo Né Barros, “imagens e zonas de conflito e resistência”, no qual o som e a voz parecem ser o único veículo capaz de passar “mensagens de amor ou ódio, resiliência ou desistência”.

À semelhança dos projetos anteriores da coreógrafa, a música e a voz voltam a ser destaque nesta nova criação. Muros conta com texto da escritora Eugénia Vilela e excertos de poemas do romeno Paul Celan e do francês Robert Desnos, ambos aprisionados em campos de concentração durante a II Guerra Mundial. O espetáculo conta com música ao vivo de Alexandre Soares, que trabalha regularmente com a coreógrafa, e tem no elenco Ana Deus, vocalista da banda Osso Vaidoso.

Né Barros é um dos nomes cimeiros da dança portuguesa das últimas décadas e uma das mais destacadas formadoras e professoras no âmbito da dança, em especial no Balleteatro, escola que fundou e dirige. Numa conversa aquando a estreia do ciclo Movimentares no TNSJ, a coreógrafa assumia que “a dança não é um mero somatório de gestos, mas o resultado de uma crise, que irrompe quando o corpo se afasta ou se aproxima de uma referência ou de uma narrativa, ou ainda quando esse corpo cede ou resiste a uma impessoalidade”.

Muros é uma coprodução Balleteatro e TNSJ e pode ser visto na quinta-feira, às 21h30; na sexta, às 19h00; e no sábado, Dia Mundial da Dança, às 18h30. O projeto tem desenho de luz de José Álvaro Correia e figurinos de Maria Gambina e está integrado no programa internacional Non-Lieux de L’Exil (Collège d’études mondiales, Fondation Maison des Sciences de l’Homme, Paris). O preço dos bilhetes varia entre os 7,50 euros e os 16 euros.

No dia 27 de abril, após o espetáculo, está agendada uma conversa com Né Barros, Ana Deus e Alexandre Soares, com moderação de Ana Carvalho (responsável do Armazém 22). Já no dia 29, entre as 11h00 e as 13h00, o Teatro Nacional São João promove, com a coreógrafa, uma oficina de movimento para descobrir a linguagem de Muros e refletir, também, sobre as questões migratórias da atualidade que nos leva a repensar o corpo numa valência transversal e sem fronteiras. “Pé de Dança” é para maiores de 10 anos e a inscrição tem um valor de dez euros.

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