Drones, Naves Espaciais E Muita Tecnologia No Concerto Dos Muse No Meo Arena

Reportagem de Tânia Fernandes / Fotos Cedidas Pela EIN

Um palco giratório montado no centro da Arena, com o público a distribuir-se por uma frente circular. 360º de concerto-espetáculo em que as distâncias acabam por ficar mais próximas, para todos, e permitem acompanhar melhor os detalhes.

Duas datas da Drones World Tour dos Muse em Portugal completamente esgotadas para uma banda que continua a cativar admiradores, já de há anos, e que dá concertos sempre à altura das expetativas. Desta vez, com objetos voadores comandados à distância, naves espaciais e muitos recursos tecnológicos.

A autorização para gravar e filmar tudo é dada logo antes do concerto começar. Mas em tom irónico, pede-se o bom senso de desligar o flash para não incomodar os restantes presentes. E uma vez apagadas as luzes, descem os drones, comandados à distância, em forma de globo, que preenchem o único espaço vazio do Meo Arena.

A introdução, ao som do tema que dá nome ao mais recente trabalho, editado em em 2015, promove um ambiente quase clerical. Os Muse já haviam passado em Portugal, com este novo trabalho, mas numa apresentação em Festival, sem o aparato que agora trazem nesta Drones World Tour.

Começam com “Psycho” e ainda que o olhar esteja preso aos drones que pairam no ar sentem-se, e bem, os riffs da guitarra de Matthew Bellamy. Acompanham-no Christopher Wolstenholme no baixo e Dominic Howard na bateria. São apenas três, mas com talento e carisma fazer vibrar a multidão. As mensagens políticas e sociais chegam-nos através das letras das músicas. Quando se dirige ao público, o vocalista é parco em palavras e limita-se a agradecer a entrega.

O alinhamento incide sobre drones, mas não deixa de parte sucessos antigos. Continuam com “Reapers”, “Plug in Baby”, “Dead Inside” e “The 2nd Law: Isolated System”. “The Handler” consegue uma das imagens mais fantásticas da noite, em que os músicos se tornam fantoches e são “conduzidos” por uma mão gigante projetada nas telas transparentes, suspensas no meio do Meo Arena. Há uma passadeira que entra pela plateia e permite que os dois músicos “com mobilidade” (Matthew Bellamy e Christopher Wolstenholme) se passeiem por todo o espaço e atuem, cara a cara, com os fãs.

Muse

Regressam os drones para “Supermassive Black Hole” um dos temas intemporais dos Muses, do álbum de 2006 Black Holes and Revelations, que foi recebido com grande euforia.

Entusiamo repetido com “Starlight”. Pelo ar, voam também balões gigantes carregados de confettis que Christopher Wolstenholme faz questão de rebentar com o seu baixo. Matthew Bellamy senta-se ao piano e, debaixo de luzes verdes, dá-nos “Apocalypse Please”. 

O tom calmo muda para “Munich Jam”, em que se assiste ao despique do baixo de Christopher Wolstenholme com a bateria de Dominic Howard. “Madness”, “Hysteria”, “Time Is Running Out”, “Uprising” demonstram a capacidade desta superbanda para produzir energia a partir de uma multidão. Matthew Bellamy assume a pose de estrela ao comandar o grande coro que se ouve nos 360º do Meo Arena “They will not control us/ We will be victorious”.

A entrada quase celestial de “The Globalist” volta a colocar-nos noutro ambiente, e leva-nos para a vertente mais teatral, próxima dos grandes eventos que os Muse também gostam de tocar, no lado oposto do rock duro que haviam atravessado minutos antes. Todo o palco está rodeado de telas de projeção onde podemos ver cenários dignos de ficção científica. Nova surpresa, com a entrada de uma nave espacial no ar, que dá uma volta completa à sala.

As telas de projecção são recolhidas e voltamos ao rock. “Take a Bow” e depois “Mercy” em que a multidão é banhada por uma explosão de confettis.

A noite termina com “Knights Of Cydonia” e mensagens a reter: “No one’s gonna take me alive/ The time has come to make things right/ You and I must fight for our rights/ You and I must fight to survive”.

Quase duas horas de concerto a deixar os presentes visivelmente satisfeitos. O trio britânico investiu nesta digressão e subiu o degrau para a lista das superbandas. Um caminho que começou numa escola inglesa, nos anos 90 e que agora esgota as maiores salas de espetáculos do mundo.

Esta noite, os Muse voltam a repetir a dose, no Meo Arena. Os bilhetes encontram-se esgotados.

 

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