Douro, Tejo e Guadiana “encontraram-se” no Casino do Estoril

Reportagem de Madalena Travisco (Texto) e Joice Fernandes (Fotos)

Douro, Tejo e Guadiana
[dropcap]O[/dropcap] palco do Salão Preto e Prata do Casino Estoril ficou ontem, domingo dia 16 de novembro, completo com os elementos da Banda Visconde de Salreu e do Coral da Senhora do Monte que, com Carlos Tavares, Vitorino e Manuel Rebelo, prestaram uma justa e bem orquestrada homenagem à música portuguesa sob o mote da Lenda dos três Rios. A batuta esteve a cargo do Maestro Afonso Alves.

A lenda que juntou os protagonistas falava dos três rios que, nascidos em Espanha, encontraram o mar por diferentes percursos através de Portugal. O Douro ficou representado pelo homem do Norte (Carlos Tavares), o Guadiana pelo homem do Alentejo (Vitorino), ficando o Tejo ao cuidado do homem mais do centro (Manuel Rebelo).

Era uma vez três rios que nasceram em Espanha. Chamavam-se Douro, Tejo e Guadiana. Estavam um dia a contemplar as nuvens e perguntaram-lhes donde vinham.
– Do mar – responderam elas. – Ele é o nosso pai e o nosso avô.
– Onde fica o mar? – perguntaram os rios.
– Lá longe, em Portugal. – responderam as nuvens.
– É grande?
– É, é muito grande.
– Havemos de ir ver o mar.
E combinaram que no dia seguinte iriam os três ver o mar. Assim fizeram (…).

Ao contrário dos três rios irmãos da lenda, que nunca mais se encontraram na imensidão do mar, este Douro, este Tejo e este Guadiana estiveram presentes e unidos pelas vozes num espetáculo diferente que percorreu músicas dos próprios e algumas memórias da música portuguesa que foram ficando esquecidas com novos arranjos e orquestração. Valeu e surpreendeu a orquestra da Banda Visconde de Salreu, bem como as vozes do Coral da Senhora do Monte, que por amor à música, mostraram mais que merecer estar presentes na magnífica sala de espetáculos do Casino do Estoril.

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Alinhamento tão diverso composto por: “Cantar que bom seria”; “Meu querido Corto Maltese”; “Doce Cigana”; “A Rua dos Meus Ciúmes”: “A Pedra que Caíu”; “Ausência em Valsa”; “Trazes Luar”;  “Verdade ou Mentira”;  “A Estação da Minha Vida”; “E Se Nos Levantássemos?”; “Fado Triste”; “Amor”; “A Vida” – de João de Deus; “Uma Grande Promessa”; “Gavião voou à Torre”; “Traz Outro Amigo Também”; “A Marcha dos Combatentes de uma Rotunda”; “Queda do império”; “Ninguém nos Ganha aos Matraquilhos”; “Vou-me embora, vou partir”, em que a língua portuguesa foi o elemento comum.

“Traz um Amigo Também” de Zeca Afonso fez o encore. Um elogio ao valor da amizade. O valor que terá unido Carlos Tavares, Vitorino e Manuel Rebelo, além do enorme talento.

Agora “Douro”, “Tejo” e “Guadiana” vão rumar para o norte, onde vão atuar na Casa da Música, no próximo dia 27 de dezembro, pelas 18h00.

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