Douro Rock: Os Lendários Jorge Palma E Mão Morta Encerraram O Festival Em Grande

Reportagem de Rosa Margarida (Texto) e Paulo Soares (Fotos)

A segunda noite do Festival Douro Rock contou com Jorge Palma, Mão Morta, Dead Combo e Keep Razors Sharp, assim – do último ao primeiro em palco, como se pudéssemos voltar no tempo e viver tudo de novo.

Já a noite tinha passado a dia e, às 02h00 da manhã, Jorge Palma subiu ao palco. O músico dispensa apresentações, bem como o seu Expresso do Outono, uma viagem por 40 anos de uma carreira de sucesso, pontuada com “hinos intemporais” “Frágil”, “Deixa-me Rir”, “Dá-me Lume” e “Encosta-te a Mim”, entre muitos (e muitos) outros temas.

No alinhamento “Tempo dos Assassinos” e Dormia Tão Sossegada”, do álbum É Prohibido Fumar (2001), seguidos de “Eternamente Tu”, do Bairro do Amor (1989) e “Cara de Anjo Mau”, do ainda mais distante O Lado Errado da Noite (1985). É esse um dos – muitos – poderes da (boa) música: voltar atrás no tempo, reviver memórias, construir novas histórias ao som de um som intemporal.

Da guitarra para o piano, Jorge Palma segue com “Quarteto da Corda”, tema do trabalho Voo Noturno (2007), regressa ao Bairro com os temas “Dá-me Lume” e “Só”.

E assim, chega – mais um – momento especial da noite: Jorge Palma e Dead Combo juntos em palco, para uma apresentação única. “Estrela do Mar”, de Jorge Palma e “Povo que Cais Descalço”, dos Dead Comb, numa interpretação sublime, engrandecendo – como se possível fosse – temas enormes.

Num espetáculo recheado de sucessos, Jorge Palma continua, ora na guitarra, ora no piano, com temas como “Na Terra dos Sonhos” , “Frágil” ou “Deixa-me Rir”, com o público a emprestar a sua voz a todos os temas, do princípio ao fim, em canções há muito memorizadas, cantadas e recantadas, ao longo dos anos.

Repetiam-se sucessos e coros, palmas e ovações, numa noite especial no idílico Douro, numa viagem sempre breve, desde o “Espécie de Vampiro” até ao “Encosta-te a Mim”, porque afinal … “Nós já vivemos cem mil anos”.

Dos 40 anos de carreira de Jorge Palma até aos quase 30 anos dos bracarenses Mão Morta. A banda de Adolfo Luxúria Canibal, com uma história que dita o rumo do rock em Portugal, sobe ao palco com um novo trabalho “O Mundo Não é Mais Um Lugar Seguro”, que integra o álbum No fim Era o Frio, a editar em setembro deste ano.

«“No Fim Era o Frio” apresenta-se como uma narrativa distópica onde conceitos como aquecimento global ou subida das águas do mar servem de cenário para um questionar e decompor de diferentes paradigmas do quotidiano. São paradigmas que nos rodeiam e com os quais nos relacionamos e replicamos, desviados para um enquadramento onde a familiaridade ganha a estranheza que permite a sua percepção.»

Com Miguel Pedro, na bateria, António Rafael, nos teclados, Ruca Lacerda e Vasco Vaz, na guitarra e Joana Longobardi, no baixo, a banda regressa a “Sitiados”, do álbum Mão Morta, de 1988 para voltar a 2019 com “Deflagram Clarões de Luz”. Seguem-se “A Hipótese de Suicídio”, do álbum Pelo Meu Relógio São Horas De Matar (2014). As provocações, a teatralidade e as interrogações do ímpar Aníbal Luxúria Canibal  desassossegam o público de Régua, com alguns dos festivaleiros “vestidos a rigor” com T-shirts dos Mão Morta, empunhando discos de vinis de banda.

O espetáculo passa por temas como “Em Directo (para a televisão)”, “As Noites de Budapeste” e “Bófia”.

Os Dead Combo foram os senhores que se antecederam, com o seu Odeon Hotel a “invadir” o Douro Rock.

«Com produção de Alain Johannes (Queens of the Stone Age, PJ Harvey, Chris Cornell, entre outros), este novo disco é a síntese perfeita da portugalidade e universalidade existentes na música dos Dead Combo.»

Pedro Gonçalves e Tó Trips fazem-se acompanhar de António Quintino, no contrabaixo; Alexandre Frazão, na bateria e Gui, nas teclas e saxofone.

A abrir o espetáculo “Deus Me Dê Grana” e “Mr and Mrs. Eleven”, temas do último trabalho Odeon Hotel, lançado em abril de 2018.

A banda, que celebra 15 anos de carreira, viajou pelos seus grandes temas, como “Mr. Eastwood”, “Cuba 1970” de trabalhos como Quando a Alma Não é Pequena e Lusitânia Playboys, até ao “Rumbero”, de Vol.1.

O duo que se quer “inconformado, sempre” marcou a segunda noite do festival.

A abrir o palco da segunda noite, os Keep Razors Sharps, “uma super banda discreta”, nas palavras do Jornal Público, constituída por Afonso Rodrigues  (Sean Riley & The Slow Riders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate, entre outros). Apresentaram, no Douro Rock, o seu segundo álbum de originais, Overcome, lançado em outubro de 2018, com a difícil tarefa de reunir o público junto ao palco, no início da noite, quando os festivaleiros passeiam pelo recinto, junto às zonas de restauração e lazer.

A 4ª edição do Douro Rock juntou representantes de várias geração da música portuguesa, com um Primeiro Dia Extraordinário, ao som de David Fonseca, Clã, Dino D’ Santiago e Profjam.

Chega em 2020 a quinta edição: cinco anos a criar e reforçar a identidade de um festival único, na Régua, junto ao Douro.

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