Djavan – Um Amor Puro

Reportagem de Catarina Fragata (texto) e Diana Silva (fotografia)

Djavan
Djavan

Aos 70 anos, o cantor que confessa adorar Portugal, agradece ao público a oportunidade de voltar. Djavan, desta vez, veio apresentar o 24º trabalho de originais da sua carreira, de mais de 40 anos.

Apresentou-se, sexta-feira, no Campo Pequeno, prometendo uma noite memorável, “uma noite sensual” diz ele, talvez até sexual, para o que apelou à colaboração de todos. Sexual não diria, mas esta foi certamente, uma noite plena de sensualidade. A plateia encheu o ar num coro sincronizado de vozes tão afinadas que quase parecia ensaiado.

Uma carreira tão longa atravessa gerações de fãs, e foi notório quando ao olhar em redor vejo pessoas dos 20 literalmente aos 80 anos. Um público que representa a ligação lusa ao Brasil, a fusão de uma mesma língua, em diferentes dialectos numa paixão comum pela música e por este personagem tão especial.

“Vesúvio” é o tema que dá nome ao novo álbum e que simboliza a analogia entre a força do vulcão e da mulher. Mas foi com “Viver é Dever” que abriu o concerto onde a sua devoção à mãe Natureza se afirma como o grande tema da noite.

A meio fez uma pausa para explicar o quanto adora flores, que planta e cuida com esmero, na sua casa no Rio de Janeiro. Nessa linha de pensamento apresentou “Madressilva” e “Orquídea” sentado e cantando apenas na companhia do seu violão.

“Flor de Lis” veio a seguir e marcou um dos pontos altos da noite com o regresso da banda ao palco num crescendo sonoro que deixou a plateia ao rubro. Daí em diante o ambiente aqueceu e nunca mais parou a erupção de sensualidade e alegria contagiante, um mar humano a saltar e balançar nas cadeiras entoando alternadamente com Djavan os temas de todas as épocas.

Este clima acolhedor atingiu o auge quando Djavan convidou todos a dançar junto do palco e o esperado aconteceu quando ninguém mais se manteve sentado até ao final, passando pelo “bis” marcado pelos temas que lhe deram o reconhecimento internacional. “Samurai”, “Sina” e “Lilás” fizeram as delícias de todos, em particular das gerações que acompanharam o nascimento deste artista muito humano, preocupado com a atualidade mas cheio de esperança no futuro.

Até sempre Djavan, e obrigada por esta noite.

Este, foi o segundo de três concertos, que o cantor fez, nesta digressão, em Portugal.

 

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