Diferentes Estilos Preencheram O Cartaz do Segundo Dia Do Festival Primavera Sound

Reportagem de António Silva e Tânia Fernandes

NOS Primavera Sound Porto - dia 2
NOS Primavera Sound Porto - dia 2

Com Beck a sobressair, um cantor que alcançou a fama nos anos 90, o cartaz do segundo dia de Festival Primavera Sound Porto trouxe um leque variado de sonoridades de mundo para descobrir.

Com menor afluência, em relação ao primeiro dia, tornou-se mais fácil a movimentação entre palcos. Ou o acesso aos serviços de apoio disponíveis no festival, para quem lá passa um conjunto de horas consideráveis.

Começámos a tarde com Holy Nothing. Sim, enferrujámos desta vida de festival e de fazer muitos quilómetros por dia e o som da banda banda portuguesa de Música Eletrónica, formada na cidade do Porto em 2013, por Pedro Rodrigues, Nelson Silva e Samuel Gonçalves convidou-nos a sair da letargia. Cantam em português e em inglês e têm um apoio visual interessante. “É um prazer estar na nossa cidade a tocar para vocês todos” manifestaram no iníco do concerto.

Seguimos para Beach Bunny. O projeto é liderado por Lili Trifilio de Chicago, Illinois. De franjinha e totós, aparenta um ar infantil, mas depois demonstra garra de adulta. O grupo alcançou ampla popularidade depois que sua música “Prom Queen” se tornou viral no TikTok. Ouvimos ainda “6 Weeks” e ainda “Good Girls” antes de mudar de direção.

De volta ao palco Cupra fomos conhecer Rina Sawayama, a cantora, compositora e modelo nipo-britânica. Um fenómeno pop a querer dar nas vistas e a procurar conquistar o seu espaço. Percebe-se que há um investimento grande na imagem e nos vídeos que acompanham a atuação. Na pose provocadora é acompanhada por duas bailarinas “Are you ready to dance? Are you ready to scream?”. À pose juntam-se as palavras de ordem em “STFU” (Shut the F**k Up). Aproveita todos os momentos de paragem para comunicar o público. Promove a autoaceitação e, destaca a luta pelos direitos da comunidade LGBT.

Slow Dive, no palco principal do Festival Primavera Sound fez jus ao nome e convidou-nos a abrandar. O recinto foi invadido por ambiente etéreo, que combinou vocais pouco definidos com a distorção de guitarras. Ocuparam o palco, mas contactaram o público apenas na linguagem que conhecem: a música. Promoveram tempestades emocionais, com rajadas violentas de guitarra, acalmadas por cascatas de belas e intensas melodias.

Quem preferiu mais agitação, subiu ao palco Binance onde os Shellac davam tudo por tudo. Steve Albini, Bob Weston e Todd Trainer formam os Shellac, banda que já conquistou o rótulo de noise rock.

O palco Super Bock foi ocupado por duas cantoras espanholas muito distintas. Primeiro, Maria José Llergo, um registo de flamenco atualizado, com raiz firme mas um toque contemporâneo. A voz, em primeiro plano, sobrepõe-se ao ritmo ancestral, com um toque de eletrónica.
Amaya Romero Arbizu, mais conhecida como Amaia, é uma cantora, compositora e pianista espanhola. Tornou-se popular ao ganhar o concurso de talentos Operação Triunfo. Os seus conterrâneos preencheram a frente de palco, no concerto que apresentou neste Festival Primavera Sound. Estavam ali para ouvir o mais recente álbum “Cuando No Sé Quién Soy”, lançado este ano e foi o que aconteceu, tempo que teve de atuação.

Beck era o cabeça de cartaz do dia. Não se deixou fotografar, pela imprensa e quase ofuscou o público com a quantidade e intensidade de luzes que projetou durante o concerto. Foi uma apresentação curta, com pouco mais de uma hora e um pouco atabalhoada. As músicas sucederam-se, quase sem paragens, como se naquele espaço de tempo a intenção fosse a de mostrar o maior número de temas. Mesmo que o mood de uma canção não ligasse propriamente com a seguinte. Abre luzes, fecha luzes, debita sucessivas imagens coloridas numa voracidade pop, de quem apenas diz que veio de Los Angeles e está muito feliz por regressar a Portugal e, em especial, ao Porto. Vestido com um fato branco, assumiu o papel de showman e não chegámos sequer a conhecer os músicos que o acompanharam, na contraluz.
Uma surpresa pelo meio ao apresentar a cover de “Everybody’s Got to Learn Sometime”. A conhecida canção de The Korgis foi muito bem recebida. Sem grande surpresa, a grande viagem do concerto foi quando soaram os primeiros acordes de “Loser”, o tema mais conhecido do cantor, tão popular por cá nos anos 90. A saída, sem encore, ou pedido de regresso sequer, fez-se com “Where It’s At”.

Do pacote totalmente inesperado saiu ainda o concerto dos 100 Gecs. Vestidos com mantos compridos e coloridos, chapéus pontiagudos na cabeça, entraram em palco como se fossem para um programa infantil. Porém, descarregavam um pop punk divertido que parece que tem gerado culto na internet. Sons bizarros e distorcidos acompanham um refrão que é repetido várias vezes e acompanhado por quem assiste ao concerto. Laura Les e Dylan Brady são os líderes desta banda, que está a conduzir o hyperpop de forma bem sucedida, como se provou esta noite no Primavera Sound do Porto com o ambiente de festa que promoveram.

O Festival Primavera Sound continua hoje. Vão atuar os seguintes nomes: David Bruno, Dry Cleaning, Helado Negro, Pile, Khruangbin, Paloma Mami, Dinosaur Jr, Jamila Woods, Branko, Little Simz, Pabllo Vittar, Nídia, Interpol, Jawbox, Dj Firmeza, DJ Marfox, Bad Gyal, Grimes, Dj Kolt, Dj Marcelle, Squid, Gorillaz, Dj Python, Kelman Duran, Dj Florentino, Earl Sweatshirt, Kampire, King Kami, Joy Orbison, Mina & Bryte

Os bilhetes, para este sábado, já se encontram esgotados.

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.