A Descoberta De Novas Sonoriades Na Segunda Noite De Mexefest 2017

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

“Qual foi o concerto de que mais gostaram até agora?”. A pergunta é feita por duas simpáticas raparigas que conosco partilham a boleia, no carro que poupa as pernas a quem participa no Mexefest. A resposta poderia durar o resto da noite, mas uma rápida troca de impressões, o tempo que dura a viagem na Avenida da Liberdade, permite-nos ficar a par de tudo o que vai acontecendo. Participar neste festival é também partilhar um pouco do que se vê com quem não se conhece. Raros são os concertos a que se assiste do princípio ao fim e a convivência é uma forma útil de chegar a onde não se foi.

Uma das grandes enchentes da noite foi a atuação dos Cigarettes After Sex no Coliseu. A banda americana, natural do Texas, mergulhou o público numa melancolia monocromática. Pouca luz, a pedir um fechar de olhos, para absorver melhor as românticas melodias.

A outra atuação muito falada, mas pela lotação da sala (Manuel Oliveira, no Cinema São Jorge) acabou por não ser acessível a todos, foi a de Sevdaliza. A cantora Iraniana trazia uma boa legião de fãs e arrebatou com a sua performance ousada.

Antes, e também muito comentados pela sua escolha de indumentária, estiveram os Liars, que atuaram na estação do Rossio. Este é o projeto do vocalista e multinstrumentista Angus Andrew, que se apresenta vestido de noiva.

O Coliseu dos Recreios vibrou também com a atuação dos Everything Everything. A banda de Manchester tem um rock pop com bom ritmo, cheio de refrões a entrar facilmente. O vocalista Jonathan Higgs é incansável, a incitar o público a acompanhá-lo.

A experiência Mefexest abre-se também a outras sonoridades. Tivemos assim oportunidade de ouvir a poesia cantada de Luca Argel; sentir a vibração da energia das cordas de O Gajo; embalar ao som do coro de Sopa de Pedra ou absorver o fado contemporâneo de Paulo Bragança. O Capitólio voltou a contar com bons talentos de hip hip como CJ Fly e Allen Halloween.

Os nomes que passaram pelo Palácio da Independência podem ainda não ter grande projeção, mas percebeu-se que o futuro é promissor. Tanto Karlon como mais tarde Eva Rapdiva conquistaram quem lhes deu uma oportunidade e passou pelo espaço para os conhecer. Poucos foram os que decidiam sair antes do final dos concertos.

Íamos a caminho de Moullinex, um dos últimos concertos da noite, quando fizemos o balanço da noite. As nossas companheiras de boleia admitiram que esta tinha sido a primeira edição deste festival a que tinham assistido e ficaram com vontade de repetir a experiência. E é isto o que acontece a quem sai da sua zona de conforto e decide participar num festival que se faz para descobrir novas sonoridades. Vontade de voltar a repetir a dose!

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