Depeche Mode E Imagine Dragons Encerraram NOS Alive 2017

Reportagem de António Silva, Marina Costa e Tânia Fernandes

A pop cada vez mais eletrónica dos Depeche Mode, os vibrantes Imagine Dragons e os meninos bonitos Kodaline marcaram uma linha mais mainstream no último dia de NOS Alive. Um verdadeiro programa para toda a família, num festival que se afirmou no mercado internacional e que, cada vez mais, soma pontos como cartão de visita do país.

Dave Gahan é uma espécie de maestro de multidões e conduziu a grande orquestra, que é o público do NOS Alive, com grande competência. Dá o som de instrumentos quando o coro precisa, retira quando quer ouvir apenas as vozes. E quando estamos a falar de um recinto lotado com 55 mil pessoas, a experiência é de provocar pele de galinha.

Os Depeche Mode são presença regular no país e trazem sempre uma legião de seguidores. A banda veio apresentar temas do mais recente trabalho, Spirit, mas sabe que o público está ali para ouvir os êxitos antigos. Serviram uma dose equilibrada das duas partes, de forma a satisfazer todos. Dave Gahan é cada vez mais um performer. De colete brilhante, o vocalista dança, contorce-se, balança a anca e ninguém fica indiferente ao espetáculo que dá.

Trouxeram vídeos, com fortes imagens a acompanhar alguns dos temas. Versões mais eletrónicas envolvem agora canções antigas como “Everything Counts”, “Enjoy The Silence” ou “Personal Jesus”. Mas no final, o refrão estende-se interminavelmente, sem necessidade de sintetizador.

Foi um público mais velho que compareceu a este concerto, ao contrário dos anteriores, que seduzem camadas mais jovens.

A alternativa aos Depeche Mode, encontrava-se do outro lado do recinto. Público ao rubro com a entrada acelerada de Cage The Elefhant. A energia de Matthew Shultz numa voz sempre no limite e do seu mano na guitarra nas loucas descidas ao público, a energia destes rapazes enlouqueceu a plateia que na loucura vivia dos momentos do festival mais eletrizantes. Com correrias, saltos, gritos, este Matthew faz-nos lembrar muitos vocalistas de grunge. Os fãs cantaram num pleno entusiamo em sons como “Too Late To Say Goodbye” e “Telescope”, com diferente vibração cantadas ao vivo por estes boys que não descarregaram as baterias e de cá ficaram fãs.

Os Imagine Dragons são também repetentes no Alive e conseguiram voltar a dar um dos melhores concertos deste festival. Com uma energia inesgotável, Dan Reynolds quer estar tão perto do público quanto possível e são por isso vários os momentos em que sai do palco para se aproximar dos fãs.

A banda de Los Angeles trouxe um álbum editado no mês de junho, do qual o público deu mostras de conhecer já bem “Believer”. Letras simples, como “It’s Time” estão também na ponta da língua de todos e o ritmo que a banda impõe, trouxe um ambiente de festa contínua ao concerto. Sem pausas significativas, os Imagine Dragons trazem ainda uma mensagem pacifista de apelo à não discriminação de raça, religião, nacionalidade ou orientação sexual.
Um concerto que soube a pouco, mas eles prometeram voltar em breve!

Do outro lado do recinto, atuaram os Spoon e depois Fleet Foxes. Os Spoon são uma das banda mais influentes do indie rock e regressam a Portugal em novembro, em nome próprio. A banda do Texas destaca-se pelas produções arrojadas e arranjos experimentais e o público do palco Heineken recebeu-os com entusiasmo.

Seguiram-se os Fleet Foxes com os fãs na linha da frente. Plateia composta, levaram ao rubro em “White Winter Hymnal” ou “Mykonoso”. Banda de harmonias vocais únicas, instrumental transversal e variado, estes rapazes sabem o que fazem, mesmo que não os possamos categorizar musicalmente, o que os torna únicos. Aguardamos um regresso!

O palco Heineken, foi sem dúvida, o palco da noite pela sua multifacetada gama musical, com os fãs assumidos e dos que ficaram de nomes que por aqui passaram, muitos deles em claro enamoramento por Portugal e outros em relações assumidas que estão para voltar e ficar.

Quem também antes de sair já havia deixado data de regresso confirmada para Novembro foram os Kodaline. Meninos bonitos, músicas melodiosas e uma grande presença em palco caracterizam esta banda de irlandeses. Abriram com “Ready” e seguiram para “Brand New Day”. Steve Garrigan, a voz da banda, desceu ao público, logo no terceiro tema, para agarrar uma bandeira de Portugal, que exibiu e enrolou depois no suporte do microfone. Apresentaram o novo tema “Brother”, mas foi na sequência final de “High Hopes”, “Raging” e “All I Want” que conseguiram adesão massiva do público. Até já Kodaline!

Foi o palco Heineken que muito cedo se começou a compor para nomes sonantes da música internacional. A multidão era já muita e variada a ouvir Benjamim Booker. O músico californiano com uma voz rouca e forte cantou e tocou muito bem acompanhado seduzindo os amantes de blues ao rock, passando pelo soul.

Os dois dias de música intensa não eliminaram entusiasmo e a excitação dos que enchiam o recinto ao som de Camões que nas suas guitarras ecoavam pelo caminhar dos festivaleiros.
The Black Mamba abriram o palco maior do Passeio Marítimo de Algés e foram surpreendidos pelo grande número de pessoas que àquela hora já ali marcavam presença. E aproveitaram, claro, para mostrar que são uma das bandas mais inspiradas do pais, capaz de fazer vibrar uma plateia com os acordes de uma mistura de blues, funk e soul, muito própria.

A iniciar a tarde saboreou-se sentado, descansando as pernas, David Cristina que iniciava os espetáculos num palco sempre repleto de público participativo e aficionado do humor situacional, simples, acessível e contemporâneo, palco Comédia. A noite terminou em grande e com lotação esgotada com o aclamado Salvador Martinha.

Com sol ainda alto o Coreto acolhia Filipe Sampado, num estranho enquadramento de cinco músicos que mostraram qualidade, mas em início de cumplicidade musical. O ponto alto foi Filho da Mãe, de uma grande simplicidade, que com a sua guitarra mostrou toda a sua qualidade. Aguardamos sempre pelas suas composições num espaço mais intimista.

Balanço do Festival

Em conferência de imprensa Alvaro Covões, diretor da Everything is New, referiu que esta foi uma edição “muito especial”, esgotada “três meses antes” de começar. De acordo com a organização, passaram pelo festival NOS Alive 165 mil pessoas. O festival chegou ainda ao país inteiro, através das emissões no canal 700 da operadora NOS, nos canais e no site da RTP. A componente ambiental do festival e o apoio ao Instituto Gulbenkian da Ciência com o financiamento de bolsas de investigação científica foram outras das iniciativas destacadas
Partilhou ainda o momento especial, de uma mãe que entrou em trabalho de parto durante o festival, tendo o bebé nascido no dia seguinte: o primeiro bebé NOS Alive.

Em 2018 o festival regressa ao Passeio Marítimo de Algés, nos dias 12, 13 e 14 de julho.

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