Dave Matthews E Tim Reynolds Em Interminável E Emocionante Concerto Acústico

Tim e Dave são aquele tipo de colegas de trabalho que se encontram depois do horário de expediente para dar continuidade ao que tem em mãos. Porque mais do que um dever, o que fazem é puro prazer. À margem, e sem descurar o empenho que têm na grande Dave Matthews Band, estes dois elementos juntaram-se agora em salas mais pequenas e abriram as portas ao público.

É uma espécie de ensaio aberto, sem alinhamento definido, que oferecem aos admiradores. Concertos diferentes, todas as noites, com alguns pontos em comum. Em média tocam 25 temas por noite. Lisboa chegou aos 28 com direito a três encores e a sensação de que Dave Matthews continuaria pela noite dentro.

Às 21h00, o Coliseu de Lisboa estava lotado e o público, impaciente, começava a chamar pelos músicos. Adivinha-se maratona e muitos têm certamente presente as quatro horas de atuação da Dave Matthews Band , na última passagem por Lisboa. Dave Matthews e Tim Reynolds entram em palco. Fisicamente distintos, Dave gigante ao lado de um pequeno Tim, revelam-se dois monstros da guitarra em palco. A voz inconfundível de Dave, sobressai neste formato acústico e é ainda mais emocionante. Abrem com “So Damn Lucky” e provocam os primeiros arrepios em “Satellite”.

A recepção do público é avassaladora. A música é o mais importante, nesta noite e o espetáculo dispensa artifícios. Dave Matthews toca sentado, a noite toda, enquanto Tim Reynolds se mantém de pé. Entre eles há uma pequena mesa de madeira antiga, de quatro pés, semelhante às que abundam nas loja de velharias. Serve para pousar as bebidas. Vários holofotes compõem o palco e por vezes ajudam a incendiar a música. Há umas tiras de telas ao fundo, de formato desencontrado, onde por vezes são projetadas imagens abstratas.

Seguem-se “Bartender” e “Crush” antes de ser apresentada uma das novidades desta digressão. Chama-se ”Samurai Cop”. Voltamos atrás, ao álbum Crush para ouvir “Lie in Our Graves” e avançamos dois anos para “When The World Ends” de Everyday.

Dave Matthews introduz depois um convidado. Explica que conheceu Carlos Varela, cubano, há cerca de um ano e percebe-se que essa amizade tem sido consolidada com muito e bom rum cubano. “Muros y Puertas” é o tema que cantam em conjunto, com um breve recado para o outro lado do Atlântico: “Há quem construa muros e quem abra portas. Eu prefiro abrir portas.”

Depois de “Cornbread”, sai de palco e deixa-nos com Tim Reynolds. O músico leva-nos ao universo dos acordes e ficamos a conhecer uma variedade muito maior de sons que podem sair de uma guitarra.

Quando regressa, o cantor agradece a forma calorosa como é recebido no nosso país e partilha que desta vez veio com a família. É sobre essa ligação filial que canta em “Virginia in the Rain”. Há mais uma dezena de temas em calha, em que o público insiste em acompanhar de forma efusiva, como “Warehouse”, “41” ou “Grey Street”. Tim Reynolds volta a ficar sozinho em palco com “Summer Night in December” e ganhamos direito a um cheirinho de “Can’t Help Falling in Love”, de Elvis Presley no final de “The Stone”.

“Two Step” é a ameaça de despedida, quebrada depois por três vezes. Deixam alguns dos temas mais conhecidos para o fim, como “Ants Marching” e fecham em grande com “Crash Into Me”, três horas e meia depois de uma prova de esforço de elevada exigência.

Dave Matthews e Tim Reynolds sobrem hoje ao Porto, para outro concerto, certamente especial. Os bilhetes já se encontram esgotados.

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