Dave Matthews Band – A Maratona de Música em Lisboa

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Não é muito habitual, em Portugal, ter hora de concerto agendada para as 20h00, sem anúncio de banda de suporte. A verdade é que este horário de quase final de tarde se justificava pelo longo alinhamento da atuação da Dave Matthews Band. Cerca de 4 horas para uma escolha de pouco mais de vinte temas, com alguns dos mais conhecidos a ficar de fora e o público, no final, ainda com forças para pedir mais. Longos solos instrumentais, bom jogo de luzes a intensificar a cadência musical, um palco desprovido de cenários exuberantes e o essencial: boas músicas capazes de manter o público, a um domingo à noite, a vibrar pelo rock.

Se Dave Matthews conquista pela atitude simples e calorosa, a sua banda empolga com os duelos que vai estabelecendo com o seu frontman. Por vezes, até nos esquecemos de qual era o tema que haviam começado a tocar e agarramos o ritmo do espetáculo sonoro, mas também visual, que se desenrola em cima do palco. Quase como se tivéssemos entrado numa jam session, e fossemos meros espectadores de uma banal brincadeira entre músicos.

Cada concerto é único, para a Dave Matthews Band, e neste arranque de digressão pela Europa, a surpresa era, por isso, total. Adivinhava-se um alinhamento constituído por dois sets, que se veio a confirmar, com direito a intervalo de meia hora pelo meio “so you can have a cerveja” anunciou Dave Matthews a determinado momento.

A noite começou com “Warehouse”, para continuar com “Black and Blue Bird”, um dos novos temas ainda por estrear em estúdio. É prática da banda, levar as novas músicas em digressão antes de as editar em disco, numa espécie de laboratório que lhes permite ir ajustando a métrica. Regressou depois ao álbum com que abriu a noite, Under the Table and Dreaming, para “Dancing Nancies”, e com ele o primeiro prolongamento XL de um tema com os holofotes a incidir sobre o carismático Boyd Tinsley e seu violino. A banda passou ainda pelas muito aclamadas “Stay or Leave”, “Crush”, “Lover Lay Down” e “Satellite” durante este primeiro set. No final de “Grey Street” o público não se mostra disposto a abrir mão da banda, para uma paragem e continua a marcar o ritmo com aplausos. Ainda que não esteja esgotado, o Meo Arena está muito composto. A faixa etária é alta e devota, a avaliar pelas t-shirts da banda que se encontram pelo recinto e o empenho com que acompanham as músicas. O ambiente tranquilo faz com que a longa duração do concerto passe quase despercebida, não fossem os membros inferiores a começar a dar sinal de alerta.

dave_matthews2Dave regressa para um início quase intimista. Sozinho, ao piano dá-nos uma espécie de lullaby com “Death on The High Seas”, um tema que escreveu para as suas crianças. Passa para a guitarra mas continuamos só nós e ele, em “Little Red Bird”. Puxa-se mais uma cadeira para “Bartender”, que é ocupada por Tim Reynolds.

A banda regressa e continua com “Seek Up”, com destaque para a secção de sopros, “Don’t Drink The Water”, “#41” e “So Much To Say”. No fundo, as imagens de video intercalam com as dos músicos e são a úncia “distração” permitida. “If Only” trouxe um dos momentos mais emotivos da noite, com o coro de vozes a prolongar, ainda mais, o tema.

O sorriso de Dave Matthews e os “obrigado” que deixa no final de cada canção vai alimentando este namoro com os admiradores em Portugal. A banda despede-se com “Rapunzel” e regressa para um encore com “Ants Marching”. O ponteiro já passa das 24h00 e a semana ameaça começar com uns valentes bocejos. Apesar de não nos termos cruzado com insatisfeitos, há quem continue a pedir mais!

Oh, yeah, if only I could have you
Just the way I want to
Oh, to have you back again
Back again

Reportagem de Tânia Fernandes, fotografias EIN

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