Dançámos, Rimos e Cantámos Com Macklemore & Ryan Lewis


IMG_0923Foi em atmosfera de “festa à séria”, que se desenrolou o concerto de Macklemore & Ryan Lewis, esta quarta-feira, no Meo Arena. Dança, gargalhadas, muita animação, mas também alguma reflexão sobre temas da atualidade atravessam as rimas que Macklemore vai libertando durante a noite.
É em This Unruly Mess I’ve Made, a mais recente edição de Macklemore & Ryan Lewis (chegou ao mercado o mês passado), que assenta o alinhamento da noite, sem esquecer os grandes êxitos do anterior The Heist.

O palco está, aparentemente vazio, quando se apagam as luzes. A banda é elevada e só depois sobe Macklemore, em entrada apoteótica. Não foi grande, a adesão ao concerto. Mas os que estão enchem a sala com todo o calor e devoção de quem tem os seus ídolos em palco. Começaram a noite com “Light Tunnels”, a música que abre This Unruly Mess I’ve Made. Depois de um ano em estúdio, a banda regressa aos palcos e percebe-se a vontade de interagir com o público. É a estreia da dupla em Portugal, apesar de mais à frente, Macklemore partilhar com o público que não é a sua primeira vez em território nacional. Veio com os pais, por duas vezes na adolescência, de férias para Albufeira e é um apaixonado do nosso país. São vários os momentos, entre músicas, em que aproveita para partilhar com o público episódios da sua vivencia que são recebidos com todo o carinho.

A noite é de festa e o primeiro momento bem animado tem lugar com “Brad Pitt’s Cousin”, em que XP, o primeiro da noite a atuar regressa ao palco para partilhar com eles a voz e também a dança.  A maior parte dos temas são coreografados e os bailarinos ganham relevo em determinados momentos. Depois de “Buckshot” ainda, do novo álbum, Macklemore dá provas do seu talento com o lápis e o papel. Desenha, num cartaz, uma caricatura sua, que entrega ao público. Aproveita para descrever o seu passeio por Lisboa e ficamos a saber que visitou o Oceanário, com a filha. Segue-se “Thrift Shop”, um dos sucessos antigos, e a loucura está instalada com todos aos pulos.

Para além de Macklemore e Ryan Lewis, na retaguarda, há um quarteto de sopros e outro de cordas que imprimem força a alguns dos temas, principalmente aqueles em que as palavras são para ser seguidas com toda a atenção e o cenário se torna despido de artefactos. Já só de t-shirt vestida, interpreta “Arrows”, o tema gravado pelos americanos Fences, em 2014, que contou com a participação da dupla e fez sucesso. Passa depois para um emocionante “Kevin” em que a voz de Leon Bridges entra em vídeo. Há quatro grandes holofotes de cinema em palco, e uma grande intensidade nas palavras proferidas. O ambiente continua carregado para “Wing$”, o tema que aponta o dedo aos custos do consumismo. Nos ecrãs a luz é de sangue vermelho, enquanto que  nos versos corre a história de um miúdo que foi assassinado pelos seus ténis Nike.

IMG_0911

O cantor volta à conversa, e partilha o quanto sempre gostou de hip hop e a surpresa de estar neste momento a pisar o palco. Agradece a quem veio ao concerto neste dia e explica que utiliza este seu sonho para comunicar ideias. Boas ideias, como a da igualdade de género no casamento que trata em “Same Love”. A emoção toma conta do recinto e sem pausas, passa para “Growing Up”, a canção que foi gravada com a participação especial de Ed Sheeran e foi escrita por Macklemore antes do nascimento da filha Sloane. É uma espécie de carta de conselhos de um pai para a filha que há-de nascer.

Depois da descontração, um dos temas pesados que fecha o mais recente álbum. Em “White Privilege II” a dupla de Seattle reflete sobre a situação social nos EUA e as questões raciais, nomeadmente a forma como os negros são tratados pelas forças policiais. Mas Macklemore vais mais longe e aventura-se a questionar o direito de um branco cantar sobre os problemas dos negros. Termina com a belíssima voz, em vídeo de Jamila Woods.

As luzinhas dos telemóveis acendem-se para acompanhar “St. Ides”. Macklemore usa agora uma camisa aos quadrados aberta, o que não o impede de percorrer todo o palco aos saltos, sempre a interagir com o público. Quer ensaiar coros e mostra-se surpreendido com a resposta efusiva imediata.

Uma mesa no meio do palco é o mote de “Let’s Eat”, que volta a contar com a presença de XP. Há imagens de ginásio, mas também de comida. Termina com uma bandeja na mão, a dar bolachas aos que estão nas primeiras filas. Mas porquê só a estes, interroga-se. Os lá do fundo não têm direito? Propõe-se bater o recorde “do arremesso da bolacha”. Quase consegue… mas promete voltar a Portugal para o fazer!

O ambiente descontraído e divertido continua para “White Walls” e atinge um pico em “Can’t Hold Us”, depois do qual Macklemore ensaia uma despedida.

Regressa rapidamente para um dos momentos hilariantes do concerto. Traz o seu personagem Raven Bowie que, de acordo com o vídeo introdutório explicativo, é filho de Samuel L.Jackson e Lady Gaga. Trata-se de um tema gravado em 2011 que é uma verdadeira paródia. Vestido com uma capa brilhante, óculos de aviador e uma peruca loira, deixou a multidão em extase, aos gritos e a rir, perante tamanha transformação. “And We Danced” não deixa ninguém indiferente. E a dançar, mas já sem peruca, passa para o novo “Dance Off”. No final, há duas meninas que sobem ao palco e mostram que por cá, também se sabe dançar.

Para o final, e já em segundo encore, ficou o mais recente grande êxito: “Downtown”. O vídeo continua a fazer sucesso e conta com a participação do sui generis homem do bigode, Eric Nally, que não podia faltar à festa. Surge em palco, inesperadamente, repete as coreografias do vídeo que fizeram a plateia vibrar e mostrou que é tão divertido quanto ridículo. Eric Nally foi a líder da banda Foxy Shazam e surge no vídeo a conduzir uma carruagem de romanos, puxada por motorizadas, acompanhado de outros nomes do hip hop como Grandmaster Catz, Kool Moe Dee e Melle Mel.

Uma despedida com promessa de regresso, sob uma chuva de confettis encerrou a noite.

Antes, passaram pelo palco dois nomes: XP e Raury. Ambos, têm trabalhos produzidos por Ryan Lewis e navegam pelas sonoridades do rap  e hip hop. Apesar de distintas apresentações, foram muito bem recebidos pelos portugueses.

Poucos eram os que pisavam a plateia quando XP entrou, mas não deixou de trabalhar para ficar conhecido, desde o início do concerto. Xperience, mais conhecido pelo diminutivo de XP, mostrou o seu mais recente tema “Not Today” e partilhou com todos a sua amizade com Macklemore. Depois da sua atuação, veio para a plateia, confraternizar com os seus recentes admiradores.

Seguiu-se Raury, um jovem irreverente rapper que conseguiu surpreender com a sua atitude e presença. Conta com 19 primaveras, pose desconcertante e uma energia inesgotável, potenciada por uma voz forte. Raury editou o seu primeiro longa duração, All We Need, no final de 2015. Deu-nos a ouvir “Friend”, “Crystal Express”, Devil’s Whisper”, “Cigaret Song” e “Trap Tears”, entre outras. Pontuou ao atravessar o palco com uma bandeira portuguesa e deu valentes banhos de água aos que estavam ao seu alcance.

XP e Raury asseguram a primeira parte do concerto de Macklemore& Ryan Lewis nesta digressão europeia. E pode-se dizer que são um excelente começo de noite!

Reportagem de Tânia Fernandes
Fotos gentilmente pela Everything Is New

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.