Cuca Roseta – A Versatilidade De Uma Grande Artista Ontem À Noite No Coliseu De Lisboa

Por Elsa Furtado (Texto e Fotos)

Anoite prometia, a casa estava quase cheia para assistir ao concerto de uma das grandes revelações de fadistas da nova geração, mas diga-se a bem da verdade, que ao fim de uma hora e meia de concerto assistimos a um grande espetáculo, não um concerto de Fado, mas sim de música, pois é assim que vemos esta grande noite, em que Cuca Roseta mostrou algumas das suas variadas facetas.

Jovem, bonita e cheia de talentos assim podemos descrever Cuca Roseta, que se estreou ontem à noite em Lisboa, no seu primeiro concerto pelos Coliseus, e para o qual preparou um alinhamento muito especial, que reuniu temas dos seus três discos: Cuca RosetaRaiz e o recente Riû.

A noite começou com um tema instrumental – “Além-Terra”, da autoria de Mário Pacheco, em palco músicos e bailarinos deram alma e vida a um tema, que nos remonta para as raízes do flamenco e andaluzes. Cuca entra em palco, no meio dos bailarinos, a dar mostras dos seus dotes como dançarina, de preto vestida.

Seguiu-se o clássico “Rua do Capelão” – imortalizado por Severa, e que inspirou as várias gerações de fadistas que se seguiram, num tom ligeiramente diferente ao que estamos habituados a ouvir.

cuca-roseta-coliseu-008Seguiram-se “Homem Português” e “Nos Teus Braços” (em que revelou gostar de pintar), “Marcha de Santo António”, e “Fado Menor Isabel”, numa visita a Raiz – o seu segundo trabalho.

E o concerto foi avançando com “Lisboa a Namorar”, “Fado da Vaidade” e “Fado dos Sentidos” – este da autoria de Cuca e que foi buscar a inspiração à arte marcial Taekwondo que a artista pratica, e que teve direito a uma breve exibição em palco. O ritmo animado da bateria, das violas e da guitarra, marcaram o tempo, acompanhados pelas palmas vindas da plateia.

São temas animados, alegres, que dão vontade de cantar e dançar, revelando uma faceta diferente desta canção Património da Humanidade, quase sempre tão “magoada” e dolorosa.

Cuca sai de cena de negro vestida e regressa com um vestido branco comprido e a entoar com um sorriso nos lábios”Riú”, com música de Jorge Palma. “Verdes São os Campos” – com música de Zeca Afonso e poema de Luís Vaz de Camões, um dos poemas preferidos de Cuca, segundo ela revelou, foi o tema seguinte que encantou os presentes, acompanhado de uma coreografia intimista, com os bailarinos a surgirem no meio da plateia. Palmas e telemóveis em riste a fotografar e gravar foram a resposta do público, a uma interpretação tão bonita.

“Ser e Côr” é o tema que se seguiu, com música de Sara Tavares. Os ritmos não pararam e a vontade de dançar também não, com Cuca a dar o exemplo. “Tanto” – com letra e música de Cuca foi o tema seguinte… “Vivi Tanto, Chorei tanto …” cantou a artista.

De regresso a Mário Pacheco, ouviu-se “Lisboa de Agora”, e depois dois momentos intimistas, primeiro com Cuca ao piano, a interpretar “Assim Como a Corça Suspira pelas Águas ….”, e “Fado de Inverno” à viola. “Estranha Forma de Vida”, é o tema que termina a atuação de Cuca, nesta parte do espetáculo.

A artista sai e deixa o palco entregue aos seus músicos para um instrumental poderoso por Pedro Viana, Frederico Gato, Diogo Clemente e André Silva. No final, a chuva de aplausos atesta o apreço do público e a qualidade dos músicos.

cuca-roseta-coliseu-023O concerto entra na reta final, com a subida ao palco da Orquestra de Câmara da GNR liderada pelo maestro João Cerqueira, e é uma Cuca ainda mais sensual, com vestido encarnado que surge em palco, a cantar o “Fado da Entrega”: “Não há maior amor / Que dá sentido à dor / E na falta que nos faz / Saber encontrar a paz …”.

Para o fim, duas homenagens: o “Fado do Silêncio”, numa homenagem à Cidade de Lisboa, e “Foi Deus”, numa homenagem a Amália Rodrigues e que terminou em ovação de aplausos.

E foi para o fim que ficou guardado o animado “Amor Ladrão”, tema escolhido para promover os concertos na televisão e o álbum, e no qual Cuca voltou a ter a companhia dos bailarinos em palco.

E foi assim, em ambiente de festa com direito a uma explosão de confettis que terminou o concerto, entre risos, sorrisos e palmas.

Como é habitual, a artista e os restantes músicos voltaram para o encore. “Marcha da Esperança” foi o tema escolhido, que trouxe todos os convidados para cima do palco, desde a Marcha de Santa Engrácia, aos bailarinos e aos jovens praticantes de Taekwondo, à Orquestra de Câmara da GNR.

Uma nova explosão de confettis e uma chuva de aplausos encerraram um grande concerto, de consagração de Cuca Roseta, como uma das jovens mais versáteis e talentosas da sua geração.

Segue-se agora o Coliseu do Porto, no próximo sábado dia 12, pelas 21h30.

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