Crónica: Cultura Para Todos

Nº 47: Para Que Serve a Literatura?

 

Nos tempos atuais criou-se uma certa ideia que assemelha a leitura de um livro de ficção a um momento estranho, como se fosse uma situação anómala quase equivalente a ver um disco voador em que o leitor de livros fosse uma espécie de alienígena. Com tanta informação na internet e tanto ecrã para a consultar, para quê perder tempo a ler um livro que não sirva para o meu trabalho ou para outras questões técnicas? (pensarão alguns).

 

Haverá ainda espaço na geração que nasceu com a internet para a leitura de livros?
Por tudo isto é de louvar quem, sendo escritor e leitor, utiliza as redes sociais (mais propriamente o Instagram) para divulgar e promover, não apenas o seu trabalho, mas sobretudo a escrita de outros. Acresce a isto um “toque analógico” que entrega aos seus posts. Refiro-me ao leiriense Paulo Kellerman. Desde os 22 anos que intervém na escrita das mais diversas formas: autor de 14 livros do infanto-juvenil ao romance e conto (já premiado pela Associação Portuguesa de Escritores), cronista, promotor de antologias de contos e editor de livros (fundou recentemente a Editora Minimalista). Mas não só, assume-se como dinamizador de projetos colaborativos com artistas de diferentes áreas (além da referida editora coordena o projecto Fotografar Palavras, que reúne dezenas de fotógrafos e escritores, além de exposições e instalações de rua).

Na sua conta @paulokellerman, o autor traz essa vertente para o Instagram. A ideia é simples: destaca uma frase de um livro escrita à mão numa folha de papel e ao lado surge a capa da obra em questão, por vezes com a caneta como se tivesse sido acabada de escrever. Num mundo cada vez mais digitalizado, em vez de vermos tudo isso através de um ecrã, é muito interessante esse retorno à escrita manual, empresta-lhe alguma humanidade. Das muitas imagens que o Paulo já publicou, destaco estas duas que ilustram a crónica: “Contos completos”, a antologia de Lydia Davis, mestre da literatura breve, e a obra “Os peixes não têm pés de Stefánsson” com a frase: “Acho que estou a ouvir a eternidade”

Serei um alienígena por gostar por ler e pensar sobre estes pedaços de literatura?

Por Óscar Enrech Casaleiro – Comunicador cultural desde 1997, atento à atualidade desde sempre.

N.R.: Esta crónica tem periodicidade quinzenal e é da inteira responsabilidade do seu autor

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