Crónica: Cultura Para Todos

Nº 45: Para Que Serve A Arquitetura?

Claro que esta questão é assumidamente desafiadora: desde que me conheço que sou um apreciador de Arquitetura embora não tenha qualquer formação na área. Admiro a capacidade que um profissional da área tem para equilibrar interesses e necessidades que parecem inconciliáveis: por um lado a vontade do cliente com a necessidade de organização do espaço e dos volumes a cumprir a lei, e por outro a inclusão de uma marca própria com detalhes que dêm a um espaço a capacidade de ser vivenciado. Por isso, em vez da arquitetura de espetáculo, prefiro um estilo minimalista e acolhedor, funcional e com pequenos pormenores que vão dando alma a uma casa, sede de empresa ou recinto cultural.

Vem isto a propósito de três pessoas da área da arquitetura que transpõem para as fotografias das suas contas da rede social Instagram precisamente esta via minimalista: Helena Serrador, Sílvia Bernardino e João Aires Neves.

A primeira publica em @helena_serrador fotografias de natureza (essencialmente árvores), património arquitetónico e obras em construção da sua autoria. Raramente aparece a presença humana. Habitualmente centra-se em pormenores, por vezes vistas gerais captadas com enquadramentos originais. Mostra ter sempre um cuidado especialna composição da imagem.

Em @silviabernardino podemos encontrar principalmente fotografias de paisagens com e sem  presença humana, quando aparecem são normalmente pequenos vultos distantes poucas vezes retratados frontalmente, transportando até alguns adereços como um balão ou um coração. Raramente se encontra alguma fotografia de edifícios ou casas. Nota-se um grande aprumo estético e um gosto pelo  minimalismo.

 

 

Finalmente @joaoairesneves prefere fotografias do espaço urbano com a presença de elemento humano que surge apenas de passagem ou muito distante, como complemento surgem as legendas em tom irónico. Em poucas imagens se encontram elementos arquitetónicos, em muitas se nota uma sensibilidade na composição plástica da imagem.

Três bons exemplos que vale a pena seguir.

 

Por Óscar Enrech Casaleiro – Comunicador cultural desde 1997, atento à atualidade desde sempre.

N.R.: Esta crónica tem periodicidade quinzenal e é da inteira responsabilidade do seu autor

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