Crónica: Cultura Para Todos

Nº 41: Para Que Serve O Bloqueio Criativo?

Confesso que desta vez foi impossível escolher um assunto que me cativasse ou então foi apenas um bloqueio criativo momentâneo. Não se preocupem, algum dia tinha de acontecer. Digamos que este é já um tema clássico das crónicas. Há sempre um momento em que é complicado o autor encontrar um tema porque não há nada de relevante a contar, ou então porque a inspiração se apaga momentaneamente. Hesitei no termo a utilizar mas acho que aquele que escolhi é de facto o que assenta melhor: a criatividade ficou presa algures sem razão aparente. E não, não me vou deitar no divã do psicanalista para tentar analisar o que se terá passado. Descansem caros leitores, esta é mesmo uma questão passageira.

E para não se sentirem totalmente enganados, aproveito para relembrar alguns títulos de filmes que também se centraram nesta situação chata de não sabermos o que fazer perante um ecrã branco. Começo por Adaptação (2003), realizado por Charlie Kaufman com Nicholas Cage e Meryl Streep. É uma história excêntrica que fala sobre as dificuldades de escrever um guião adaptado de um romance estranho e com toques autobiográficos, que se desenvolve como as matrioskas russas, as bonecas que se encaixam umas nas outras. 

Barton Fink (1991), realizado pelos irmãos Coen, foi vencedor de três prémios no Festival de Cannes. Ambientado em 1941, aborda o bloqueio criativo de um dramaturgo prestigiado que é convidado a escrever um guião para um filme popular de Hollywood por elevados honorários. O problema é começar e sentir a angústia de nada conseguir produzir. Com uma ambiência por vezes surrealista, esta obra faz ainda  uma crítica política ao fascismo e à segunda guerra mundial, parodiando também algumas figuras célebres dos estúdios da era dourada de Hollywood.

Finalmente Contado Ninguém Acredita (2006), dirigido por Marc Forster, é uma divertida comédia protagonizada por Will Ferrell, sobre a história de um auditor de vida cinzenta, que ouve uma voz off a narrar a sua própria vida. Esta não é mais do que uma escritora com dificuldade em acabar o seu livro, e o que vemos é a narração da sua ficção “em direto”. No fundo trata-se de um cruzamento original de literatura e cinema que mostra como, afinal, a secura de criatividade pode ser em si mesma uma curiosa fonte de inspiração. 

No caso desta crónica ficam pelo menos com três sugestões cinematográficas, mas, por favor, não fiquem bloqueados.

Por Óscar Enrech Casaleiro – Comunicador cultural desde 1997, atento à atualidade desde sempre.

N.R.: Esta crónica tem periodicidade quinzenal e é da inteira responsabilidade do seu autor

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