Crónica: Cultura Para Todos

Nº 31: Para que servem a Cultura e a Animação? 

Se não tendemos a juntar coisas inconciliáveis como A Cristina Ferreira e a Rainha de Inglaterra ou Isabel dos Santos com pobreza, porque é que se junta tantas vezes a Cultura com a Animação?

Embora pareça  a mesma coisa na verdade a atividades culturais e as atividades recreativas são realidades complementares. Ambas são importantes mas servem propósitos diferentes.

Desculpem se soar demasiado professoral tentar definir estas realidades, mas tem mesmo de ser assim. A Cultura é daquelas definições difíceis de qualificar: a mais interessante é aquela que define Cultura como tudo aquilo que fica depois de nos esquecermos de tudo o resto. Eu prefiro chamar-lhe estímulo para a mente. E porquê?

Quando vemos um filme, exposição  ou espetáculo ou lemos um livro estamos a ser confrontados com uma História ou uma ideia que o criador nos quer transmitir. Estamos por isso a ser enriquecidos culturalmente, a fazer-nos pensar sobre o que estamos a ver. Mesmo que tenha sido uma coisa muito mal feita, muito dramática ou muito divertida estamos a enriquecer o nosso pensamento, porque estamos a adotar um pensamento crítico.

É assim quando lemos o quotidiano terrível de um judeu num campo de concentração nazi, quando nos rimos perante um filme de Charlot, ou perante uma exposição de quadros de Paula Rego. Há emoção, riso, choque ou repulsa.

Quando estamos num bar com um grupo de amigos, numa feira de queijos ou a fazer uma viagem de barco até às Berlengas estamos a viver uma atividade recreativa. Pode ser muito ou pouco divertida, muito ou pouco bem passada mas o que pretendemos é apenas a evasão ou a distração. Pode até servir como estímulo para os sentidos mas não tem nenhum outro propósito que implique estimular o pensamento. Quando nos encontramos nestas situações procuramos um momento de convívio. Apenas.

Ambas as situações têm uma função muito relevante na nossa vida e nenhuma delas é melhor do que a outra, tudo depende apenas da  forma como escolhemos viver a vida.

Por Óscar Enrech Casaleiro – Comunicador cultural desde 1997, atento à atualidade desde sempre.

N.R.: Esta crónica tem periodicidade quinzenal e é da inteira responsabilidade do seu autor

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