Crónica: Cultura Para Todos

Nº 27 – Para que servem os programas de animação de Natal? 

Já dizia uma conhecida socialite portuguesa especialista em transmitir clichés como se fossem grandes tiradas filosóficas: “Chuva em novembro, Natal em dezembro”. E se apesar de tudo os momentos de seca são cada vez mais prolongados, os dias 24 e 25 de dezembro são inevitavelmente ocupados pela quadra natalícia.

Curiosamente nos últimos anos (com a exceção dos anos da troika), o período de comemorações do Natal tem início cada vez mais cedo, e é habitual a partir do dia 1 de novembro já começarmos a assistir à chegada dos primeiros Pais Natais e Árvores de Natal.

E não só: é visível que o investimento aplicado é cada vez maior de ano para ano. No entanto as propostas não são necessariamente sinónimo de originalidade e repetem-se de concelho para concelho: pista de gelo, insufláveis, casa do Pai Natal, música natalícia, iluminação, barretes, renas. É inevitável, este é o período mais tradicional do ano e a sua popularidade vive necessariamente desta imutabilidade. Alguém imagina que as decorações se façam com palmeiras pintadas ou música punk?

Onde é possível mudar? A resposta é fácil e começa a notar-se. Com elementos decorativos de grande dimensão no espaço público transformados em espetáculos de luzes de cores e formas inesperadas onde a população possa interagir. É o chamado “wow factor”: aquele que permite criar ambiências de tal forma apelativas que acabam por inundar os perfis nas redes sociais com legendas e hashtags direcionadas para o local onde se encontram. Facilmente chegamos à conclusão que a iluminação natalícia é uma ferramenta da acção política, trunfo indispensável do marketing territorial que se joga cada vez mais com o impacto das fotografias e comentários publicados no Facebook e no Instagram.

Por Óscar Enrech Casaleiro – Comunicador cultural desde 1997, atento à atualidade desde sempre.

N.R.: Esta crónica tem periodicidade quinzenal e é da inteira responsabilidade do seu autor

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