Crónica: Cultura Para Todos

Por Óscar Enrech Casaleiro

3. Para Que Servem os Gestores de Redes Sociais?

Para muitos responsáveis de instituições culturais a resposta será “para nada” ou “não sabe, não responde” como muitas vezes surge em respostas a inquéritos. A presença de um espaço cultural nas redes sociais ainda é considerada uma tarefa menor que pode ser gerida da mesma forma que uma página pessoal no Facebook onde se colocam fotografias de gatinhos e se recebem as mensagens de parabéns de conhecidos virtuais. As redes sociais são como uma peça de roupa daquelas cadeias de lojas baratas e com design, é bom para exibir e afirmar que se tem porque enche o olho, mas depois são fabricadas por crianças do Bangladesh, neste caso por um técnico com facilidade para a expressão escrita, num momento do dia entre a revisão de um livro e uma visita guiada.

Não me levem a mal se o meu tom for demasiado professoral, mas tem de ser senhores diretores de espaços culturais. O gestor de redes sociais vai ter de pensar na estratégia que vai aplicar: é preciso escolher as redes sociais adequadas de acordo com os recursos humanos existentes, e qual o tipo de comunidade online que vale a pena constituir. O gestor vai trabalhar para que a marca associada à instituição cultural seja reconhecida e preocupar-se em dinamizar e alargar um publico fiel, que se reconheça na missão e na atividade. (Respirem fundo, já estamos a meio) Por tudo isto é preciso desfazer o mito: a partir do momento em que se abre a presença no Facebook, Instagram ou Twitter basta lá estar. Errado! A publicação deve ser constante e baseada numa estratégia. Se não for assim mais vale não estar presente. Para isso é preciso conhecer a natureza das principais redes.

O Facebook é o mais versátil, além da publicação de comentários com fotografias, vídeos ou gifs permite criar eventos ou formar grupos. O Twitter é para cobrir iniciativas em direto com hashtag associado (aplica-se em conferências, lançamentos de ivros ou visitas guiadas). Finalmente o Instagram serve para divulgar ou promover uma fotografia, vídeo ou Story com recurso a hashtags. Para cada rede a sua linguagem específica. Tudo isto dá trabalho e implica tempo. A boa notícia é que o gestor de redes é transversal a toda a equipa e só precisa de ter um revisor que o ajude. Sabemos que poderá haver a tendência para que a criação e publicação de um post passe por muita gente. Todos são especialistas em redes sociais (quem é que não sabe publicar um vídeo de gatinhos no Facebook?). Para além de planificar e produzir conteúdo, o gestor de redes sociais tem de responder a comentários, partilhar posts de seguidores ou outras instituições fiéis, gerir conflitos online, organizar eventos online e offline, passatempos, vídeos, gerir e organizar os seguidores.

Não é trabalho suficiente para haver uma pessoa só a trabalhar nisto? Se não for assim, o impacto nestes meios virtuais é desperdiçado e a sua presença passa despercebida.

Por Óscar Enrech Casaleiro – Comunicador cultural desde 1997, atento à atualidade desde sempre. 

N.R.: Esta crónica tem periodicidade quinzenal e é da inteira responsabilidade do seu autor

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