Crónica: Cultura Para Todos

Por Óscar Enrech Casaleiro

Nº 16 – Para Que Servem As Salas de Cinema Independente?

Depois da destruição dos grandes cinemas até ao ano 2000, ao longo desta década assistimos por todo o país (mas com especial intensidade em Lisboa) ao eclipsar das salas de cinema de um único ecrã, ou dos pequenos complexos de salas integrados em centros comerciais de bairro. Se estes pequenos espaços comerciais se mantêm porque é que chegamos a 2019 em que apenas resistem dois cinemas de rua em Lisboa, e todos os restantes encontram-se em grandes superfícies comerciais?

A culpa é toda da Netflix? A culpa é das pessoas que deixaram de ter interesse em ver filmes em pequenos multiplexes mas vão aos grandes?

O problema não está só aqui mas também no contacto que é feito com o público. Se a oferta já não é muito diferente do que podemos ver em salas com dez opções, pipocas e coca-cola, se calhar seria bom haver algum cuidado com o público que frequentava os complexos de salas mais pequenas.

Da experiência que tive nestes locais, a mistura entre antipatia e indiferença que caracteriza a maioria dos funcionários destes locais é igual à antipatia e indiferença que se sente nos grandes centros comerciais. Se estes têm confortos extra, para quê ir ao multiplex mais pequeno?

Outro handicap tem a ver com o marketing destes locais de menor dimensão. Eu sei que o mercado da exibição de filmes é difícil, porque está viciado pela presença dominante duma empresa monopolista que tudo suga mas: Porque acabaram com o dia do espetador em que o preço do bilhete era mais barato?

Com cadeiras velhas ou desconfortáveis quem quer ficar ali sentado durante duas horas?

Porque não criaram um cartão de fidelização com outras contrapartidas dos espaços comerciais das lojas do centro comercial de bairro onde estão integrados?

Podem questionar: mas para quê falar disto se as salas do King, do Londres, do Quarteto ou do Saldanha Residence já fecharam e não vão voltar a abrir como cinema? É verdade, os tempos são outros e não voltam, mas, esta crónica serve para alertar que muitas vezes estes negócios culturais e de lazer queixam-se da concorrência dos grandes, mas nestes casos dos cinemas de bairro nada criaram para se diferenciar e cativar o público a frequentar os seus espaços.

Por Óscar Enrech Casaleiro – Comunicador cultural desde 1997, atento à atualidade desde sempre.

N.R.: Esta crónica tem periodicidade quinzenal e é da inteira responsabilidade do seu autor

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