Corvos O Regresso Emotivo Do Rock Instrumental Português

Reportagem de Tânia Fernandes (texto) e António Silva (fotografias)

A emoção foi o sentimento que tomou conta do Centro Olga Cadaval, ontem, com o concerto dos Corvos. Um regresso a assinalar o 18º aniversário da banda, mas acima de tudo uma homenagem a Cláudio Panta Nunes, um dos elementos, falecido prematuramente no início do ano.

Sala cheia, quase esgotada, mas repleta de emoção. Os Corvos, banda portuguesa de rock instrumental, que se celebrizou pelos arranjos a conhecidos temas dos Xutos e Pontapés, reservou o dia 4 de Fevereiro para um concerto especial. A banda reuniu-se para celebrar a “maioridade” mas também para homenagear o colega ausente.

Sons marítimos, de quem navega à procura de terra ouvem-se antes de subir o pano. António Barbosa (1º violino), Tiago Flores (2ª violino), Luís Santos (viola d’arco) e Valter Freitas (violoncelo) abrem a noite com o tema “Futuro Que Era Brilhante”, uma espécie de mote da noite. “Os Corvos começaram assim, só com um quarteto de cordas” explica Tiago Flores, o porta-voz da noite. Conta-nos ainda, que o passo seguinte foi  acrescentar a bateria e chama Pedro Silva para “Sémen”, o primeiro single dos Xutos e Pontapés.  O rock, em modo instrumental, dá um novo passo. Tiago conta-nos que, com a progressão da carreira, chamaram mais um amigo, Nuno Correia, que os acompanha atualmente no baixo elétrico. E a noite continua com o “Circo de Feras”. Seguem-se “Ai se ele cai” e “Não sou o único” e as cadeiras do Centro Olga Cadaval parecem prender-nos os movimentos, pois começa a apetecer abanar.

O primeiro convidado da noite é Tim, o homem do leme dos Xutos e Pontapés que vem colocar a sua voz num arranjo tão especial de “Remar Remar”. Voltam a ficar só os Corvos para “À Minha Maneira” e percebe-se que a voz até é dispensável, pois na plateia são muitos os que sabem e cantam toda a letra.

João Panta Nunos, o pai de Cláudio é convidado a subir ao palco e é com muita emoção que se junta aos Corvos na interpretação de “Suspiro Noturno”.

Na reta final do concerto, sobra energia aos Corvos e a adesão do público é total em temas como “Chuva Dissolvente”, “Casinha”, “Homem do Leme”, “Maria” ou “Contentores”. Pelo meio, um tema mais sombrio, mas adequado à homenagem “Quando eu Morrer”.

O tempo passou demasiado depressa e quando os Corvos se tentam despedir, o público insiste. Quer mais. Regressam com Tim para “À Minha Maneira” e depois de nova saída de cena o barulho é ensurdecedor. “Vocês gostam mesmo disto” comentaram, quando regressam para repetir “Sémen”. Uma emocionante despedida, numa noite que terá certamente chegado ao céu.

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