Afetos E Otimismo No Concerto De Carlos Do Carmo Com A Orquestra Gulbenkian

Reportagem de Madalena Travisco, Cláudia Storti e Joice Fernandes

Orquestra Gulbenkian e Carlos do Carmo

O refrão do “Bairro Alto” foi o primeiro em que o público  também teve o privilégio de ser acompanhado pela Orquestra Gulbenkian, no anfiteatro ao ar livre da Fundação, em Lisboa, na noite de 25 de junho.

Trovas antigas/saudade louca/andam cantigas a bailar de boca em boca/Tristes bizarras/ em comunhão/ andam guitarras a gemer de mão em mão”. A mesma orquestra que, sob a batuta do Maestro Rui Pinheiro, acompanhou Carlos do Carmo e o trio de José Manuel Neto, Carlos Manuel Proença e Daniel Pinto, num concerto inédito que teve o céu como teto,  “(…) um concerto de afetos e de um otimismo quase inconcebível” – nas palavras do próprio. Até o vento parou – brincou.

Quando os elementos da Orquestra Gulbenkian tomaram os seus lugares no palco do Anfiteatro ao livre da Fundação Gulbenkian em Lisboa, os olhos e as palmas focaram-se na entrada do Maestro da Orquestra e do Mestre do Fado – Carlos do Carmo e não desviaram. O som da orquestra nos primeiros acordes da “Gaivota” foi absolutamente arrepiante, depois de “Duas Lágrimas de Orvalho” e “Aprendamos o Rito”. Antes do anúncio do convidado especial, houve “Fado do Campo Grande”. Carlos do Carmo – o Senhor Fado – não se poupou na descrição da Amizade com Ivan Lins – uma coisa que se constrói, que dura há décadas e que se prolonga nas mulheres, nos filhos e nos netos.

Dividiram a “Calçada à Portuguesa”, seguiram-se três canções de Ivan Lins ao piano: “O Meu País”, “A Gente Merece Ser Feliz” e “Lembra de Mim”.

Antes disso, uma referência de valor (e, pelo meio, o golo da seleção portuguesa que fez regozijar quem de vez em quando espreitava os smartphones): “As orquestras são como as florestas. A gente precisa das florestas para purificar o nosso ar e a nossa vida. E a gente precisa das orquestras para purificar o  nosso ar, a nossa vida e o nosso espírito”.

Mais um dueto “Fado Ultramar”, mais sorrisos pela qualificação (as buzinas da cidade assim o confirmavam) e o concerto prossegue. “Cacilheiro”, “Vou Contigo Coração”, “Homem da Cidade”, “Sonata de Outono” – dedicado aos médicos – “Bairro Alto”, “Canoa do Tejo”,”Não és Tu” e “Lisboa Menina e Moça”.

Estava a terminar, sem antes haver outro momento alto: O bis do “Lisboa Menina e Moça” com Ivan Lins, desta vez, com sotaque invertido. Ivan a cantar com sotaque de Lisboa e Carlos do Carmo cantando como brasileiiiiro.

“Meus amigos. Muito obrigado por estarem aqui connosco”. Mais um fado – o terceiro de Alfredo Marceneiro nesta noite – e termina. Com a  certeza de que todos os que trocaram os ecrãs por um lugar no anfiteatro ao ar livre da Gulbenkian ficaram cheios de afeto e de otimismo.

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