Clepsydra – Poemas De Camilo Pessanha Nas Livrarias

Chegou aos escaparates das livrarias nacionais recentemente, o único livro do poeta português Camilo Pessanha, Clepsydra, numa edição organizada por Ilídio Vasco, que inclui notas do investigador e um anexo bilíngue com textos que Pessanha traduziu do chinês, com selo Guerra e Paz Editores.

A presente edição distingue-se “por recuperar a intenção original de ordenação dos poemas, baseada na interpretação de uma sinalética (+) críptica deixada por Camilo Pessanha numa lista manuscrita, que seria o plano da sua obra. Essa nota, escrita no verso da procuração que daria a Ana de Castro Osório os direitos de publicação da obra, é, pela primeira vez, divulgada em fac-simile nesta edição de Clepsydra, que inclui, para além da obra integral, as notas do organizador e um anexo com textos que Pessanha traduziu do chinês, ao longo da vida: “Elegias Chinesas” (em versão bilingue), “Legenda Budista”, “Vozes de Outono”, “Chon-kôc-chao” e “Provérbios Chineses””. 

Liberta de falsas emoções, ciente da passagem do tempo, aceitando lucidamente a realidade da vida e da morte, a poesia de Camilo Pessanha esquiva a todo o sentimentalismo. O seu único livro, Clepsydra, é para muitos o mais belo livro da poesia portuguesa. São sonetos, poemas, versos dispersos e fragmentos que correm neste relógio de água existencialista. Textos que, mesmo antes da primeira fixação e publicação, em 1920, já se haviam tornado «muito conhecidos, e invariavelmente admirados, por toda Lisboa», segundo descreve Fernando Pessoa. 

Além de Pessoa, também Mário de Sá-Carneiro, Eugénio de Andrade ou Jorge de Sena aclamaram o génio de Camilo Pessanha, que inspirou fortemente a geração de Orpheu e o que viria a ser o modernismo português. Para Sena, Clepsydra revelou «um dos mais extraordinários artistas que em nossa língua haja escrito […] um puro milagre de murmúrio rigorosamente verbal, cuja alada forma a língua portuguesa nunca tivera e não tornou ainda a ter». Da sua poesia, prossegue Sena, deve realçar-se «a natureza reticente e delicadíssima» ou «a transposição quase mallarmeana dos factos, aliada a uma quebrada melancolia do dizer, que só tem paralelo em Verlaine».

O livro, inserido na coleção Clássicos Guerra e Paz, tem 160 páginas e está à venda por 14 euros.

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