Castro No Teatro Nacional São João A Partir De 20 De Agosto

Depois da estreia, no Teatro Aveirense, a 5 de março, a peça Castro, de António Ferreira, com encenação de Nuno Cardoso sobe ao palco do Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, no dia 20 de agosto, pelas 21h00.

Com Castro (1598), do poeta António Ferreira, Nuno Cardoso instala-se pela primeira vez no território de um cânone da dramaturgia portuguesa, pioneiro da tragédia clássica em Portugal. E quer habitar esta ficção literária, ela própria oferecendo uma leitura particular do drama histórico/lenda/mito dos amores de Pedro e Inês, para a dar a “ver com outros olhos”, revelando-lhe a modernidade e densidade intrínsecas, veladas pela poesia da linguagem e pela elocução. Um imenso palco-casa-país, espécie de maquete gigante dos espaços da ação, célula familiar primordial e claustrofóbica, coloca-nos face à intimidade concreta de personagens que se revelam cativas de si próprias e da sua irredutibilidade.
Em Castro, como em A Morte de Danton, a questão da utopia (do amor, como da revolução) é crucial. É o seu negro avesso o que se expõe: o amor/desejo e o poder como vício e caos, como prerrogativa, impunidade e prepotência, como cegueira que “escurece daquela luz antiga o claro raio”. E como esse escurecimento tolda a decisão e se replica, tingindo de sangue e vingança o tecido familiar, num peculiar deslocamento do centro de Castro de Inês, e da razão de Estado como ficção e moral, para Pedro, na sua relação especular com o pai, Afonso IV. “Que estrela foi aquela tão escura?”

De António Ferreira, com encenação de Nuno Cardoso, e a interpretação de Afonso Santos, Joana Carvalho, João Melo, Margarida Carvalho, Maria Leite, Mário Santos, Pedro Frias, e Rodrigo Santos.

A peça, de aproximadamente, duas horas é recomendada para maiores de 12 anos. A lotação é de 200 pessoas por sessão

O espetáculo pode ser visto às quartas e sábados, às 19h00; às quintas, pelas 21h00 e aos domingos, às 16h00 e estará em cena no TNSJ até 12 de setembro.

O TNSJ propõe ainda, no âmbito da peça, duas “Oficinas Critique!”, sendo que na primeira sessão, antes de assistir a Castro, o encenador e dramaturgo Luís Mestre fará uma exposição teórica sobre crítica teatral, fornecendo aos participantes ferramentas que os habilitem a produzir análise escrita ou oral. Na segunda sessão, o encontro será online, para troca de impressões e análise do espetáculo. A inscrição é gratuita, mediante compra do bilhete para o espetáculo.

O preço do bilhete varia entre os 10 e os 24 euros e deve ser reservado previamente.

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