Casa Cheia no Primeiro Dia do Marés Vivas

Reportagem de Cristiana Faria  Moreira
Fotos de Cristiana Faria  Moreira e da Organização

mares2015-022

John Legend e Richie Campbell eram os mais aguardados da noite. De tarde, Diana Martinez & The Crib e a rapper Capicua aqueceram os milhares de festivaleiros que chegavam ao recinto, em Gaia. Ao cair da noite, os Blind Zero deram tudo em cima do palco e John Newman pôs toda a gente a dançar. Muita festa e música da boa, num primeiro dia que não desiludiu.

O primeiro dia do Marés Vivas fechou com milhares de pessoas que, mesmo às três da manhã, não arredaram pé e ficaram para assistir ao concerto de Richie Campbell. Contagiados pelas boas vibrações do reggae do português, os festivaleiros cantaram em uníssono os maiores sucessos do cantor. “Best friend” é o mais recente single do português e já é sabido na ponta da língua pelos portugueses. “Get with you” e “Love is an addiction” não ficaram de fora da playlist de um concerto que deu ao público a diversão que queriam.

Antes do reggae do português, o cabeça de cartaz do dia, John Legend subiu ao palco Meo e fez as delícias dos milhares que o aguardavam, desde a abertura das portas, às cinco da tarde. Com uma voz e presença inquestionáveis, o norteamericano, John Legend interpretou, ao longo de quase duas horas de espetáculo, os seus grandes sucessos como “Used to love you” ou “Ordinary people”. “All of me”, entoado a milhares de vozes, foi o momento alto do concerto (e o mais esperado). Legend encerrou a atuação com “Glory”, música do filme “Selma”, com a qual ganhou um Óscar. Um concerto sem dúvida previsível mas que cumpriu as expetativas dos fãs.

John Newman teve uma energia contagiante e inesgotável do primeiro ao último segundo do concerto. A abrir com “Blame”, tema batido nas rádios portuguesas, e que resulta da colaboração com o DJ Calvin Harris, conquistou de imediato os milhares que assistiam. “Love me again” foi cantado a plenos pulmões pelos festivaleiros que tinham a letra na ponta da língua.

A estrear o palco principal, e com um pano de fundo de cortar a respiração, os Blind Zero tocaram para milhares de pessoas que não eram os seus maiores fãs. Depois do concerto de ontem, de certeza que não vão mais passar despercebidos aos jovens que ali marcavam presença. A banda de Miguel Guedes atuou pela primeira vez no Marés Vivas e não se deixou intimidar pela juventude do público e conseguiu atrair os festivaleiros. A versão de “Wrecking ball” de Miley Cyrus foi o momento em que mais vozes se ouviram e “Whole lotta love” dos Led Zeppelin surpreendeu os presentes pela competência de Miguel Guedes e pela mestria da banda, que tocou ainda clássicos antigos e temas do novo álbum “Kill Drama II”.

 

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Diana Martinez and the Crib inauguraram o Palco Jogos Santa Casa, espaço dedicado à música e talento 100% nacionais, e foram a primeira banda a tocar nesta edição do Marés Vivas. Às seis da tarde, o soul e o R&B na voz de Diana e a sua poderosa prestação em palco foram atraindo os milhares de jovens que chegavam ao recinto. Os restantes elementos da banda usaram uma máscara durante todo o concerto, o que, segundo Diana Martinez, “cria um efeito cénico visual mais forte e que capta a atenção”. Novidade para muitos, Diana Martinez and the Crib é um nome a não esquecer.

Capicua dispensa apresentações. Portuense de gema, quebrou o tabu de que o rap é só para homens e subiu ao palco para mostrar quem é a “Sereia louca” que dominou o palco e o público. Sempre acompanhada pela amiga e companheira Marta Bateira, conhecida pelo público por “Beatriz Gosta”, a rapper atraiu as atenções pelas suas rimas minuciosas, pela métrica e ritmo e pelos jogos de palavras. Capicua trouxe temas de “Medusa”, um álbum de remisturas de músicas do disco “Sereia louca” e que inclui duas canções inéditas, uma delas sobre violência contra as mulheres. A terminar o concerto, Capicua levou os presentes até “Vayorken”. E foram todos muito felizes.

O Marés é um festival à beira mar plantado, com o Douro como pano de fundo, e com um público maioritariamente jovem e do norte, enérgico e participativo, com pica para dar e vender.

A energia para esta sexta-feira não se vai esbater, até porque se espera lotação esgotada na praia do Cabedelo, que vai receber Kika, Miguel Araújo, Buraka Som Sistema e a estrela maior Lenny Kravitz, no Palco Meo. Os portugueses Koa e Jimmy P animam o final da tarde, no Palco Jogos Santa Casa.

 

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