Capitãs de Abril – A História da Revolução dos Cravos Contada pelas Mulheres

capitaes_abrilDina Carvalho, Natércia Salgueiro Maia, Teresa Alves, Aura Costa Martins ou Gabriela Melo Antunes contam o que foi a Revolução de Abril de 1974, com testemunhos do que foi a noite de 24 de Abril e o dia 25 de Abril, pela pena de Ana Sofia Fonseca.

Editado pela Esfera dos Livros, Capitãs de Abril conta a versão da Revolução dos Cravos do ponto de vista das mulheres que a viveram, desde a cobertura a reuniões clandestinas, ao passar à máquina manifestos, no ano em que se assinalam 40 anos sobre o 25 de Abril de 1974.

O amor colocou-as no centro da revolução que derrubou 40 anos de ditadura em Portugal. E elas cumpriram o seu papel. Em casa, para que a liberdade chegasse à rua. Lutaram nas fileiras da conspiração, dando cobertura a reuniões clandestinas, passando à máquina manifestos, instigando a revolta ou simplesmente “assobiando” para o lado como quem não vê o golpe em marcha. Esta é a história das mulheres dos capitães de Abril.

Dina Carvalho foi à guerra, soldado sem bala, com os três filhos à mercê de bombardeamentos. Ateou o mais que pôde o movimento dos capitães. Depois, ajudou Otelo a preparar o plano de operações – ela a tricotar no carro para ele tirar as medidas ao forte de Caxias. Natércia Salgueiro Maia passou a noite de 24 de Abril colada ao rádio. Tantas tardes, ela e Fernando a trautearam Zeca Afonso, e agora a canção como ordem na parada. Pela janela, viu a coluna deixar Santarém. Teresa Alves tremeu a madrugada inteira, não havia cobertores capazes de calarem o frio. A ironia da vida congelava-lhe as entranhas, era filha do Chefe de Estado-Maior da Armada e mulher de um dos líderes do movimento. Aura Costa Martins passou a noite no Mini do namorado, os dois às voltas pela cidade, granadas e uma metralhadora no banco de trás. Gabriela Melo Antunes, menina da fina-flor açoriana, andava nos escritos da PIDE, por comungar “dos ideais” do marido era suspeita. Esta é também a história da única mulher que leu um comunicado do MFA e da mulher que, sem saber, deu nome à revolução, com os seus cravos nos canos das armas.

Texto de Catarina Delduque

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