CAM da Gulbenkian Inaugura Duas Novas Exposições

tensao e liberdade
Miralda, Santa Comida

Tensão e Liberdade, com peças  da Coleção “la Caixa”, MACBA (Barcelona) e do próprio CAM e X de Charrua são as exposição que inauguram esta sexta feira no Centro de Arte Contemporânea da Fundação Calouste Gulbenkian.

Tensão e Liberdade tem curadoria de Isabel Carlos, diretora do CAM e reúne mais de meia centena de trabalhos que remetem de um modo geral, para a arte ocidental da segunda metade do século XX. São a expressão de momentos de tensão e de liberdade que se viveram tanto em Portugal como em Espanha reflexo do ambiente social e político. Ambos os países estiveram sujeitos a regimes ditatoriais prolongados e envolvidos em guerras (civil e colonial) cujos sentimentos fazem eco nas obras apresentadas.

A esfera sociopolítica e revolucionária surge nos trabalhos de Ana Hatherly, Antoni Muntadas, Richard Hamilton, João Abel Manta, Asier Mendizabal e Nuno Nunes Ferreira. Do mesmo modo, questões raciais, de género e de sexualidade, surgem em artistas como Roni Horn, Jeff Wall, Antoni Miralda, Martin Kippenberger, Ramon Guillén-Balmes. Refira-se também a tensão formal e física em autores como Damián Ortega, Pepe Espaliú e Miroslaw Balka. As questões do género e da sexualidade como origem de tensão social estão também presentes nas obras expostas de Vasco Araújo e Luísa Cunha, enquanto sexualidade, arte e política se cruzam na obra de Mike Kelley. Bruce Nauman é o autor mais largamente representado, não só por constituir um artista de referência de toda a arte contemporânea, mas fundamentalmente porque os dois conceitos que dão o título à exposição atravessam, de um modo gritante, a sua obra.

 

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No mesmo dia, abre ao público uma exposição antológica de António Charrua (1925-2008), pintor nascido em Évora e que iniciou a sua atividade nos anos 50 do século XX. A mostra reúne cerca de 220 obras que testemunham o seu percurso artístico ao longo mais de quatro décadas. X de Charrua tem curadoria de Ana Ruivo e Leonor Nazaré.

António começou por explorar a figuração humana, os espaços da cidade, buscando nos barcos e nos seus elementos e estruturas, as linhas de composição. Nos anos 60, começa a ensaiar os caminhos da abstração, emergindo uma nova intensidade das suas pinturas: a tensão entre regra e impulso, esquadria e energia, negritude e máxima intensidade da cor. Nos anos 70, a sua pintura constrói-se como objeto pelo diálogo prolongado com outros elementos (como ferros e madeiras), invadindo por vezes o chão e tornando-se pintura-escultura. A abstração americana e catalã exercem forte influência no seu trabalho.

Na transição da década de 80 para a de 90, revela-se uma inquieta busca de sentido para a humanidade. A perceção da incomunicabilidade entre os seres faz-se sentir com agudeza na sua pintura e os títulos que lhes atribui colocam a comunicação (ou a falta dela), a agressão e a guerra no centro das suas preocupações. As suas últimas décadas de produção, porventura as mais desconhecidas, atingem um dramatismo e uma sobriedade ímpares. Surgem as grandes extensões de água, os reflexos, a chuva, o vento, que sugerem a passagem do tempo e do homem nele inscrito, em trânsito.

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Ambas as exposições podem ser vistas até ao dia 26 de outubro de 2015, de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00 (até 30 de junho) ou de quarta-feira a segunda-feira entre 1 de julho e 26 de outubro (neste período o CAM encerra à terça-feira). A entrada custa 5 euros e é gratuita aos domingos, para menores de 12 anos, entre outros.

Reportagem de Tânia Fernandes

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