Cada Um No Seu Lugar A Entoar As Canções De Jorge Palma

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Jorge Palma
Jorge Palma - 2020 Cultura para todos

Palmas para Jorge e para a sua música, foi o que mais se fez ouvir, esta sexta-feira, no Campo Pequeno, em Lisboa. As máscaras encobrem as vozes, mas não conseguem aprisionar a liberdade de sentir e vibrar com a música de um dos mais acarinhados músicos nacionais: Jorge Palma. O público aplaudiu o artista, sem constrangimentos, mas no seu lugar e de forma ordeira.

As restrições à circulação de pessoas adiaram o início da iniciativa “20 20 Cultura para Todos” para este fim de semana. Jorge Palma acabou por ser, em Lisboa, o primeiro espetáculo de um cartaz composto por vinte nomes do panorama cultural nacional.

Sem grande surpresa, o ambiente é hoje muito diferente daquele que se vivia na era pré-pandemia. A lotação do espaço encontra-se fortemente reduzida, a circulação é altamente regulada e as pessoas cumprem. O público desta noite, era um grupo de alunos bem comportado, capaz de ocupar o lugar indicado, sem ousar quebrar regras. Percebe-se que as pessoas estão sedentas de música e de espetáculos ao vivo. Onde antes havia atropelos, há hoje gestos contidos. Vontade de estar frente a frente com os músicos, de ouvir as suas melodias, mas também de respeito por quem se encontra no mesmo espaço.

Uma hora e vinte de concerto, foi o presente que pudemos desembrulhar, nesta época árida em eventos. Um condensado, dos bons, da carreira de Jorge Palma, sem grandes novidades. Um abraço à cultura e a todos os que vivem dela, com o público a demonstrar o quão importantes são estes encontros.

“Tempo dos Assassinos” abriu a noite, às 21 badaladas certas, seguindo-se “Dormia Tão Sossegada”. Só depois desta abertura é que Jorge Palma cumprimenta o público com um “Boa noite!”. Uma plateia, muito bem composta, responde de imediato e Jorge Palma solta um “é muito bom este sentimento”.

Em “Cara de Anjo Mau” abre-se espaço a um primeiro solo de Pedro Vidal, o guitarrista e diretor musical de Jorge Palma. O público vibra com os riffs e aplaude com entusiasmo.
Depois, é no piano que o músico se foca, para apresentar um sucessão de grandes êxitos: “Dá-me Lume” e “Só”, em que recebe Gabriel Gomes, no acordeão.

Anuncia “Trapézio”, com a explicação de que foi um tema escrito a pedido de Paco Bandeira, à época na direção musical de uma telenovela e novamente, em duo com Gabriel Gomes brinda-nos com “A Canção de Lisboa”. O mais estranho nesta época de concertos? A falta das vozes do público a abafar a voz amplificada do cantor. Há uma máscara a marcar os novos tempos, e nesta nova batalha de decibéis, o timbre forte de Palma sobrepõe-se e conquista espaço.

Sozinho em palco, mergulhado numa bruma de luz intensa vermelha, envolve-nos no “Bairro do Amor”. A imagem é indefinida e obriga os sentidos a focarem-se na música. Embala-nos para “Estrela do Mar”, com o Campo Pequeno a ganhar pontos de luminosos azuis. No final, o público aplaude de pé.

Volta para viola, lado a lado com Vicente Palma e todos abanam os ombros com
“Na terra dos sonhos”. No final, temos uma primeira indicação de que a noite vai ser curta: “Temos de respeitar as horas” desabafa.

“Frágil” a entrar em modo funk, seguido de “Deixa-me Rir” quase nos fazem esquecer que estamos a reta final da noite.

Antes de “Portugal, Portugal” e “A Gente Vai Continuar” uma pequena pausa para agradecer a toda a equipa, assim como “às vontades e esforços de todos” pela realização desta iniciativa.

Jorge Palma despede-se com um pequeno encore, de tema e meio, no seu divertido set de faroeste: “Quero o meu dinheiro de volta”.

Se soube a pouco? Soube. Mas sem excessos e com a contenção que a época em que vivemos pede, é a forma equilibrada de poder viver e respirar a música ao vivo.

A saída do recinto é tranquila e muito ordenada, feita por indicação dos assistentes de sala.  Às 22h30 a sala está vazia. Nunca foi tão seguro ir a espetáculos. E mais do que nunca, os músicos e técnicos precisam do público.

Este sábado, é Paulo Gonzo que toma conta do palco do Campo Pequeno, a partir das 21h00. No domingo, Plutónio entra mais cedo, às 18h00. Os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais, com valores entre os 10 e os 18 euros.

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