Caçadora Furtiva de Paula Rego Para Ver Em Cascais Até 24 de Abril

paula_regoCaçadora Furtiva assim se chama a mais recente exposição de Paula Rego, com curadoria de Catarina Alfaro, e que pode ser vista a partir de hoje em Cascais, na Casa das Histórias Paula Rego, numa iniciativa também inserida na programação do Bairro dos Museus.

A mostra, inaugurada ontem ao final da tarde, reune mais de uma centena de trabalhos, e parte de uma série resultante da residência artística da pintora nos anos 90, na National Gallery, em Londres.

Durante  quatro meses os visitantes poderão ver várias obras produzidas desde este período, como a série Vanitas (criada para a Fundação Calouste Gulbenkian), O Tempo Passado e Presente, Mãe, Anjo e Entre as Mulheres, provenientes de colecções britânicas, da Fundação de Serralves, e Casa das Histórias.

>Entre as obras agora apresentadas, destaque ainda para a pintura A Artista no Seu Atelier, criada após o período de residência, e na qual Paula Rego se retrata a si própria, inserida neste contexto “exploratório”, e no qual “surge rodeada de uma série de adereços simbólicos que vêm do atelier de artista”.

Esta nova exposição da Casa tem curadoria de Catarina Alfaro, que explica a sua temática e a linha condutora, com a forma de sentir de Paula Rego, segundo a curadora, durante a residência artística na National Gallery a artista tinha que desenvolver vários trabalhos inspirados nas obras da colecção do museu, sem serem cópias ou reproduções e é neste âmbito que surgiu O Jardim de Crivelli, que é um painel de oito metros por dois, e que se encontra na cafetaria da National Gallery.

Posteriormente surgiram estas que aqui se apresentam, e que segundo Paula Rego resultaram de “caçadas furtivas” às obras dos grandes mestres, como Leonardo da Vinci, Botticelli, Caravaggio, Rembrandt, Rubens, Turner. Em suma o que aqui vemos é a “visão” da artista, do que viu, observou e apreendeu, é a sua leitura “visual”. Segundo Catarina Alfaro:  “Quando Paula Rego se relaciona com outras obras, com os mestres antigos, ela não copia as pinturas, ela não ilustra aquelas pinturas, ela integra e comporta-se como uma caçadora furtiva. E o termo é dela”, daí o título da exposição.

Tive muito medo e fiquei com uma certa apreensão! Mas para encontrar o nosso próprio caminho é necessário encontrar a nossa porta, como Alice. Ao tomarmos demasiadamente de uma mistura ficamos grandes demais, depois tomamos demasiado de outra e ficamos pequenos demais. Temos de encontrar a nossa própria entrada para as coisas… e eu pensei que a única maneira de nelas penetrar é, digamos, pela cave…precisamente onde fica o meu estúdio! Assim posso trepar lá acima, apanhar as coisas e trazê-las comigo para a cave, onde posso comê-las. E o que trago aqui para baixo varia imenso, mas trago sempre alguma coisa aqui para a minha toca. Aqui sou uma espécie de caçadora furtiva.

Paula Rego

Paula Rego, partiu para Londres aos 17 anos, onde estudou, casou e ainda hoje vive aos 80 anos, e continua a pintar no seu atelier.

A mostra vai estar patente ao público até dia 24 de abril na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, e pode ser vista de terça a domingo, das 10h00 às 18h00.  Os bilhetes podem ser adquiridos no local e custam 3 euros para o público em geral, 1,50 euros para residentes e são gratuitos para maiores de 66 anos.

Texto de Elsa Furtado

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