Bob Dylan Igual A Si Próprio Ao Vivo Em Lisboa

Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan, nasceu em Duluth (nos estados Unidos) a 24 de maio de 1941, e tornou-se conhecido no princípio da década de 60 pela sua música, depois de uma breve passagem pelo rock, foi no folk e na sua tristeza e melancolia que se encontrou, teve ainda algumas ingressões pelo blues e pelo gospel, chegando mesmo a compor canções com influências dos diversos estilos, foi rebelde, mas não muito, com um aspecto irreverente, que o tornou famoso, entre os jovens das décadas de 60 e 70.

As suas canções entraram para os anais da história da música, tornando-o num ídolo para muitos, mais tarde ainda deu provas em áreas como composição, pintura, escrita, tendo chegado a ser laureado com um Nobel da Literatura, em 2016, pelos seus poemas e canções.

E foi este Dylan, ídolo, gigante, símbolo e herói de uma geração, que muitos foram ouvir na quinta-feira à noite na Altice Arena, em Lisboa, que se encontrava esgotada. Foram atrás de uma imagem, uma ideia. Alguns já o tinham ouvido ao vivo, sabiam ao que íam e o que os esperava, outros foram pela primeira vez a um concerto do Grande Bob Dylan, e esperavam ouvir os velhos temas, tornados imortais e vibrar ao vivo com as canções e o cantor tão emblemático, mas tal não aconteceu.

No final, as opiniões divergiam, uns estavam desiludidos, outros diziam que foi o concerto que estavam à espera, que tinha sido mais um concerto de Bob Dylan, “cantar e mais nada”, mas afinal como foi o concerto de Lisboa?

O concerto que Dylan e a Sua Banda (composta por 5 músicos) realizaram em Lisboa está inserido na digressão Never Ending Tour e foi composto por 20 temas, e ao contrário do que se chegou a dizer, incluiu alguns clássicos, mas com arranjos e estilo tão diferentes, que o público chegou a ter dificuldade em os reconhecer.

O concerto estava marcado para as 21h00, começou eram as 21h05 (uma pontualidade quase britânica e pouco habitual nestas andanças), às escuras, e terminou pelas 22h40, também às escuras, sem surpresas ou imprevistos e com os temas interpretados uns atrás dos outros de seguida, sem pausas ou emoção, nem interacção com o público.

Sem ajuda do vídeo, ou imagens, habituais nos concertos, muitos foram os que tiveram dificuldade em ver e reconhecer Bob Dylan, que passou os temas todos sentado ao piano, só se levantando quase no fim em “Why Try To Change Me”, em que veio para o meio do palco cantar.

Do alinhamento fizeram ainda parte temas como “Things Have Changed”, “Ain’t me Baby”, “Highway 61 Revisited”, “Simple Twist of Fate”, “Summer Days”, “Make You Feel My Love”, “Honest With Me”, “Trying To Get To Heaven”, “Don’t Think Twice, it’s All Right”, “Pay in Blood”, “Tangled Up in Blue”, “Soon After Midnight”, “Early Roman Kings”, “Desolation Row”, “Spirit on the Water”, “Thunder On The Mountain” e “LoveSick”.

Para o encore ficaram o intemporal “Blowing in The Wind”, aqui numa nova versão, em que mistura folk com country, com uma pitada de swing, e que o público mal reconheceu, e para despedida – “The Ballad Of A Thin Man”.

Dylan e a sua banda agradeceram e saíram, sem palavras, sem emoção, sem nada, essas ficam para os poemas, para as letras das canções, afinal, são elas que importam, tudo o resto é acessório.

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