Bloco Na Rua De Ney Matogrosso Invadiu O Coliseu

Reportagem de Rosa Margarida (Texto) e Paulo Soares (Fotos)

O Coliseu do Porto Ageas recebeu ontem, dia 3 de novembro, a digressão internacional Bloco na Rua, de Ney Matogrosso. Um repertório diversificado, uma sala esgotada e uma energia incrível foram “apenas” alguns dos ingredientes de uma noite absolutamente mágica.

As palavras de Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, “Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui” fazem-me tanto sentido… Ney é “todo em cada coisa” e, próximo dos 80 anos, faz de cada show um espetáculo inolvidável, dos figurinos aos cenários, da performance à voz, das poses às palavras, nada é deixado ao acaso.

A voz off faz sossegar o burburinho da sala esgotadíssima, a anunciar os “responsáveis” pelo espetáculo prestes a iniciar: Sacha Amback, na direção musical e teclado; Marcos Suzano e Felipe Roseno, na percussão; Dunga, no baixo; Mauricio Negão, na guitarra; Aquiles Moraes, no trompete e Everson Moraes, no trombone. Com figurino do estilista Lino Villaventura, cenários de Luiz Stein e luz do espetáculo de Juarez Farinon, o espetáculo “Bloco na Rua”, de Ney Matogrosso.

E é exatamente o tema de onde saiu o título da digressão, “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”, de Sérgio Sampaio, o primeiro do alinhamento, com o artista a subir ao palco, num fato de lantejoulas douradas, coberto da cabeça (literalmente) aos pés descalços. Aos primeiros acordes da música, Ney faz correr o fecho da máscara que lhe tapa o rosto e “revela-se” ao público.

Num espetáculo baseado em músicas que já foram interpretadas por outras pessoas e alguns temas antigos do seu repertório, seguem-se, no alinhamento, “Jardins da Babilônia” e “O Beco”, com interpretações e movimentações singulares, que vincam a frescura e agilidade de Ney.

Ney Matogrosso “reinventa” Caetano Veloso, Chico Buarque, Raul Seixas, entre outros compositores, em clássicos como “A Maçã” e “Yolanda”, este último com um «te amo, eternamente te amo» entoado pelo público.

Ao “Ponta do Lápis” e “Tem Gente com Fome” seguem-se temas como “Último Dia” e as palavras de Ney a cutucar e inquietar: « Meu amor / O que você faria se só te restasse um dia? /Se o mundo fosse acabar /Me diz, o que você faria?»

“Inóminável”, música inédita escrita por Dan Nakagawa e “Sangue Latino” ditam a saída de palco de Ney e da banda. Mas haviam de voltar, por duas vezes.

No primeiro encore, o silêncio arrepiante da sala, com Ney acompanhado ao piano, para os primeiros versos de “Como 2 e 2”: « Quando você me ouvir cantar / Venha não creia eu não corro perigo / Digo não digo não ligo, deixo no ar / Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar»…Ainda bem! Porque gostamos tanto de ouvi-lo! Seguem-se os temas “Coração Civil”, de Milton Nascimento e “Mulher barriguda”, do primeiro álbum dos Secos e Molhados, de 1973. Ney despede-se, novamente, com as palavras «É sempre um prazer!» e volta para um mais um tema, num «Até a uma próxima» velado.

Ney Matogrosso e o espetáculo Bloco na Rua, seguem para o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, nos dias 5 e 6 de novembro. Os bilhetes variam entre os 18 e os 80 euros.

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