Biblioteca Nacional apresenta exposição sobre Gimbattista Bodoni

destaque_bodoniA sala de exposições da Biblioteca Nacional inaugura este fim de semana a exposição Giambattista Bodoni: a Invenção da Simplicidade, comissariada por José Monterroso Teixeira.

A exposição procura, numa abordagem holística, alavancar-se em três protagonistas, que estão na base da sua constituição: Francisco Vieira, o Portuense (1765-1805), Rodrigo de Sousa Coutinho (1745-1812), 1.º conde de Linhares, e Giambattista Bodoni (1740-1813). A matéria-prima centra-se no inestimável acervo saído dos prelos do célebre editor parmense que a Biblioteca Nacional de Portugal guarda e que configura um dos seus mais relevantes núcleos de livro antigo.

Giambattista Bodoni: a Invenção da Simplicidade realiza-se em articulação com duas outras exposições, a decorrer simultaneamente no Museu Nacional de Arte Antiga: Il Celebre Pittore. Vieira Portuense (Desenhos de Parma), que redescobre os trabalhos gráficos da época em que se relacionou com Bodoni; e A Colecção de Franco Maria Ricci, editor de exceção e grande colecionador, profundamente marcado pelas obras de Bodoni e de Jorge Luís Borges.

Giambattista Bodoni dirige a Stamperia Reale de Parma, desde 1768, dando à estampa, vinte anos depois, o marcante e aclamado Manuale Tipografico, que corresponde à codificação da arte tipográfica na sua depuração mais rigorosa. Admirava o talento de Vieira Portuense e convidou-o a colaborar em duas edições fundamentais: Pitture di Antonio Allegri detto il Correggio esistenti in Parma nel Monistero di San Paolo (Parma: Nel Regal Palazzo, co’ tipi Bodoniani, 1800) e Le più insigne pitture parmense indicate agli amatori delle belle arti (Parma: Dalla Tipografia Bodoniana, 1809), projetos para os quais o pintor português realizou todos os desenhos do elenco das ilustrações.

Em 1798, já em Londres, Vieira Portuense propõe a Rodrigo de Sousa Coutinho, inspetor da Real Biblioteca Pública da Corte (e da Junta Económica, Administrativa e Literária da Impressão Régia), a aquisição da coleção de edições do amigo e impressor parmense, que entretanto reunira, participando-lhe: «ter eu toda a Colecção Bodoniana tão completa que mesmo Bodoni não haver companha e só me dizia ser como a de [2.º] Lord Spencer [1758 -1834] nesta corte [inglesa]», o que vem efetivamente a acontecer, e cuja entrega simbólica, sob as arcadas do Terreiro do Paço e já com António Ribeiro dos Santos como bibliotecário-mor, ocorre em 1802.

Os anais da história da edição reservam a Giambattista Bodoni um lugar distinto como “legislatore del libro” e talentoso fautor da arquitetura gráfica neoclássica.

A exposição pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 19h30 e ao sábado das 9h30 às 17h30, com entrada livre.

Texto de Susana Sena Lopes

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