Aurea Entre Confissões E Reinícios Na Super Bock Arena

Reportagem de Rosa Margarida (Texto) e Paulo Soares (Fotos)

O concerto de Aurea no Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, no Porto, no âmbito da iniciativa Santa Casa Portugal ao Vivo – Cultura Para Todos 2020, na noite de sábado, dia 7 de novembro, foi, em tempos tão incertos, uma lufada de ar fresco e confirmou (se dúvidas houvessem) que a Cultura, e neste caso a Música, ainda nos salva.

A inconfundível voz de Aurea, com soul em cada nota, e a sua poderosa presença em palco foram um precioso antídoto para ultrapassar os estranhos dias que vivemos.

Como disse a cantora, no início do espetáculo, “Temos gel, temos máscaras, temos distanciamento social e, mais importante, temos música”. É de música que se fala.
Com tempo contado, o concerto começa no presente, que já é passado e recua no tempo, para um regresso ao passado, que ainda é presente.

O último álbum de Aurea, Confessions (2018), marca o arranque do espetáculo, num cenário sombrio e íntimo (próprio das confissões que haveriam de fazer-se) e a voz de Aurea enche a sala, com o tema “One Night Fix”.

Seguem-se as músicas “Hide” e “Like a Sheet of Coated Paper”, pois, como nos confessa a cantora, “tal como uma folha de papel amarrotada não pode voltar a ser lisa, também um coração magoado não pode voltar a ser o que já foi.”

Ainda do último álbum, Aurea presenteia o público com “Thrill Seeker” e “Head Over Heels”.

O cenário transforma-se “num piscar de olhos”: candeeiros espalhados pelo palco, um A iluminado e uma Aurea cintilante ocupam o espaço. As botas vermelhas e a roupa preta dão lugar a um vestido branco e uns pés descalços… a voz e a beleza permanecem intocáveis, inconfundíveis, ímpares.

Aurea leva-nos a 2010 e o seu álbum homónimo transporta-nos, com os temas tão conhecidos do público, como “Busy (For me)”, “Okay Alright” e “Dreaming Alive” e ainda o “Scratch My Back” do álbum Soul Notes (2012).

Uma breve despedida para um retorno ao palco, num encore que haveria (haverá!) de perdurar.

À falta de adjetivos, uma singela nota, para um dos momentos da noite: Aurea, acompanhada ao piano, interpreta uma versão ímpar de “A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)”. “Simplesmente” arrebatadora!

A fechar, uma noite especial, o álbum Restart (2016) e o tema “I didn’t mean it” e, a chave de ouro, que sempre deixa a porta entreaberta, num fim que se faz início, com Goodbye Stranger / It’s getting late, you have to leave / I hope we see us again”.

Aurea figura, indubitavelmente, no restrito rol das melhores interpretes portuguesas.

A Santa Casa – Portugal ao Vivo, apresenta “20 20 Cultura para todos”, uma iniciativa que tem como objetivo a retoma e o incentivo à cultura em Portugal, com produção da Everything is New e da PEV Entertainment.

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