Atelier-Museu Júlio Pomar Exibe Retratos Pintados Pelo Artista Ao Longo De 70 Anos

Cerca de 50 retratos criados pelo pintor Júlio Pomar (1926-2018) ao longo de 70 anos, desde Mário Soares aos Beatles, Samuel Beckett e Fernando Pessoa, vão ser exibidos a partir do dia 22 de outubro no Atelier-Museu do artista, em Lisboa, até ao dia 28 de fevereiro de 2021.

Intitulada O Desenho Impreciso de Cada Rosto Humano, Refletido. Retratos de Júlio Pomar, a exposição tem curadoria de Sara Antónia Matos e Pedro Faro, e vai incidir sobre o modo como Júlio Pomar pensou o género artístico do retrato ao longo de mais de 70 anos, atravessando diversas fases de criação, desde o Neo-realismo, na década de 1940, até 2018, ano da morte.

A pintura e o desenho de retrato dá conta, em parte, das várias relações que o artista foi estabelecendo com diferentes pessoas, do seu círculo de contacto mais pessoal, e com figuras notáveis de diferentes domínios da sociedade portuguesa. Além disso, mostram-se vários autorretratos, também de diferentes momentos da vida do artista.
Para esta exposição, reúnem-se, assim, cerca de 50 obras de pintura, desenho, escultura, assemblagem, algumas nunca antes mostradas, provenientes do acervo do Atelier-Museu Júlio Pomar, de várias coleções privadas e do espólio do artista na posse da sua família. Incluem-se retratos, entre outros, das seguintes personalidades: Mário Soares, Fernando Pessoa, Bocage, Carlos do Carmo, Cristina Branco, Mariza, Claude Lévi-Strauss, Camões, Baudelaire, Mallarmé, José Cardoso Pires, Graça Lobo, Tereza Martha, Maria Lamas, Almada Negreiros, José Manuel Galvão Teles, António Vitorino de Almeida, Samuel Beckett, Dante Alighieri, Mário de Sá Carneiro, Vasco Graça Moura, Ruth Escobar, Humberto Delgado, Orlando Costa, Ilse Llosa, Eugénio de Andrade, Mário Dionísio, Alice Jorge, Manuel Vinhas, Beatles, entre outros.

Os retratos de Júlio Pomar “surgem no âmbito de diferentes interesses e circunstâncias: relações pessoais e afetivas, literatura, música, política, afinidades culturais e ideológicas e, por vezes, resultado de dinâmicas decorativas ou de encomenda”.
São exemplo dos últimos, os retratos de Fernando Pessoa, Bocage, Camões e Almada para o metropolitano de Lisboa, ou de Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé e outros, para obras literárias, e ainda de António Champalimaud, para um monumento instalado na Fundação Champalimaud, refere a organização.
“Se alguns dos retratos iniciais assumem uma construção que remete para Picasso ou modos de representar mais naturalistas/realistas, variando entre o registo quase diário – desenhos da prisão – e trabalhos mais demorados no âmbito da pintura, os retratos do final da década de 1960 e 1970 surgem enformados pelas experiências que o artista vinha desenvolvendo desde finais da década de 1960 e ao longo da de 1970, em torno da desconstrução da figura e da fragmentação do corpo, na senda de referências como Ingres e Matisse”, apontam.
Pode dizer-se que “os primeiros retratos, de que é exemplo o de Maria Lamas, importante fotógrafa documental, embora por vezes desconhecida, e feminista, estão ancorados numa lógica de semelhança mais óbvia ou convencional, salientando-se o virtuosismo do trabalho de pintura”.
A partir da década de 1970, os retratos pintados, sobre tela, são gerados a partir de exercícios de memória, ou a partir do auxílio de fotografias que acentuam as características peculiares de um rosto.
A categoria retrato – especialmente, o polémico retrato de Mário Soares para a Presidência da República, mas também o do filósofo francês Claude Lévi-Strauss – “é uma constante no percurso de Júlio Pomar”, que, “desde cedo, ocupou-se de retratos de outros, de si próprio, de grupo ou individuais”.

A exposição pode ser vista de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 13h00 e a 14h00 e 18h00, tendo um custo de 2 euros.

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