As Letras Das Músicas Homenageadas Com Casa Cheia Durante Três Dias No CCB

Reportagem de Elsa Furtado e Tânia Fernandes (Texto e Fotos)

As Letras das Músicas chegaram aos Dias da Música nas mais variadas formas. Obras literárias que inspiram peças musicais, palavras que suportam canções, textos a partir dos quais crescem melodias. A Música a atravessar todos os géneros, neste festival sempre com âncora na Música Clássica.

O Centro Cultural de Belém voltou, mais uma vez, a ser invadido de pessoas que querem assistir a concertos, e serpenteiam em fila, pelos corredores, por um bom lugar nas salas.

Ivan o Terrível, de Serguei Prokofiev, na música dos filmes de Sergei Eisenstein (em versão de Oratória) abriu na primeira noite Os Dias da Música no Centro Cultural de Belém. O concerto esgotou, bem como outros dos dias seguintes.

Ainda que à margem da música clássica, fez todo o sentido a integração o nome de Sérgio Godinho, neste programa dedicado às Letras das Músicas. Num concerto também esgotado, fez parceria com Filipe Raposo, ao piano, e trouxe um alinhamento invulgar, adaptado às circunstâncias. O concerto teve lugar numa das salas do evento, ambiente intimista, e ouviu-se, entre outras, de “Em Dias Consecutivos”, um tema que escreveu em parceria com Bernardo Sassetti, “Acesso Bloqueado” e “O Galo é Dono dos Ovos”.

Ao Coreto, a Escola Superior de Música de Lisboa levou a poesia de Luis Vaz de Camões, Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro, entre outros, combinada com compositores como Claudio Carneyro, Francisco Lacerda ou Fernando Lopes-Graça.

No Pequeno Auditório assistimos a um excerto do libreto de O Rapaz de Bronze de José Maria Vieira Mendes , a partir do conto de Sophia de Mello Breyner Andresen. A peça foi apresentada pelo Ensemble Darcos e foi aplaudida com entusiasmo, no final

A escorrer, mais uma vez, da música dita clássica, mas com base na literatura, para a mais popular, o último concerto da noite de sábado, foi entregue à grande voz Madalena Alberto. A cantora fez-se acompanhar de uma super banda preparada para o evento: Carlos Garcia no piano e direção musical, Bruno Pernadas na guitarra, Yuri Daniel no baixo e Jaume Pradas na bateria e percurssões. Trouxe “Nos Musicais” uma viagem excepcional pelos mais populares temas do repertório do West End, onde esta cantora tem residência habitual.

Destaque também para a programação da Fábrica das Artes, dedicada aos mais pequeninos, onde foi possível assistir a três espetáculos muito especiais.

A Balada (Das Vinte Meninas Friorentas) é um espetáculo que combina música e palavras composto a partir de um poema de Matilde Rosa Araújo, com partitura de Fernando Lopes Graça, e interpretação de Margarida Mestre, e acompanhamento ao piano e percussões de Rui Ferreira. Durante cerca de 35 minutos os dois artistas contaram a história e o percurso das Andorinhas, do Outono à Primavera.

A Menina do Mar, inspirado no livro de Sophia de Mello Breyner Andresen e com música de Bernardo Sassetti era um dos espetáculos mais aguardados. Um espetáculo muito tocante com a participação da atriz Carla Galvão e de Filipe Raposo ao piano, e ainda, ilustrações da jovem Beatriz Bagulho. Um dos mais apreciados entre as crianças e os adultos presentes.

O último concerto teve por base a música e os instrumentos, mas também se ouviram algumas palavras e poemas de outros tempos. Como Dormirão Os Meus Olhos?, contou com música e interpretação de Filipe Faria e Pedro Castro a partir de Diego Ortiz, com textos selecionados por Filipe Faria e foi um autêntico concerto de de embalar, entre os sons de flautas, percussões, ukulele, viela medieval, berimbau, charamela, duduk, e gaita-de-foles.

Entre os restantes espetáculos do último dia da iniciativa, destaque para as duas atuações do DSCH — Schostakovich Ensemble, que interpretaram  O Carnaval dos Animais, de Camille Saint-Saëns, numa versão livre em português de António Mega Ferreira, a partir dos textos de Francis Blanche, e La Bonne Chanson, de Gabriel Fauré, e a encerrar a opereta Candide ou o Otimismo, de Leonard Bernstein, sobre Voltaire, pela Orquestra Sinfónica Portuguesa e Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, sob a direção de João Paulo Santos, também ele esgotado.

Foram três dias de muita música, com mais de 60 concertos, alguns esgotados, participação de 95% de músicos portugueses, e entre 16 mil a 20 mil bilhetes vendidos, segundo a organização. O tema da próxima edição será revelado a 30 de maio, por ocasião da apresentação da nova temporada do CCB.

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