As Ilhas Do Ouro Branco – Encomenda Artística Na Madeira (séculos XV-XVI) É A Mostra Que Inaugura Hoje No MNAA

Inaugura hoje no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, a exposição As Ilhas do Ouro Branco – Encomenda Artística na Madeira (séculos XV-XVI), que marca o arranque das Comemorações dos 600 Anos do Descobrimento da Madeira.

Em exposição vão estar cerca de 86 de obras de arte de origem portuguesa, espanhola, belga e holandesa, provenientes das colecções dos museus da Região, entre pintura, escultura, ourivesaria civil e religiosa, artes decorativas, e documentos relacionados com a produção e comércio do açúcar no século XVI, que nos mostram como a Madeira viveu um período de prosperidade económica sem precedentes à conta do açúcar, então conhecido como “ouro branco”.

Um conjunto de pinturas do Flamengo Michael de Coxcie, do final do século XVI, expressamente restauradas para a exposição, que se encontram em exposição no altar do Senhor Bom Jesus da Sé do Funchal, constituído por quatro tábuas: a “Circuncisão”, a “Adoração dos Reis Magos” (90×90 cm), “o Encontro de São Joaquim com Santa Ana junto à Porta Dourada” e “a Fuga para o Egipto” (180×90 cm); a Cruz Processional de D. Manuel, pertencente ao Museu de Arte Sacra; o tríptico de Nossa Senhora da Misericórdia, de Jan Provoost; a Virgem da Igreja Matriz da Ribeira Brava com o Menino Jesus nu e adormecido, esculpida no Brabante; o Tríptico da Descida da Cruz, atribuído a Gérard David; o Tríptico de Santiago Menor e de São Filipe, atribuído a Pieter Coeck van Aelst, em cujas abas surgem os retratos da família de Simão Gonçalves da Câmara, dito o Magnífico, terceiro donatário do Funchal; um pote de purgar o açúcar; um pão de açúcar; gravuras do processo e objetos com as armas gravadas são algumas das peças que o visitante pode admirar.

A mostra dá também a conhecer as elites locais através das suas encomendas, provenientes da Flandres, do continente e até do Oriente. Numa última sala, expõem-se as mais destacadas obras-primas encomendadas, sintetizando, com particular brilho, a riqueza do património madeirense dos séculos XV e XVI, resultante do esplendor cultural proporcionado pelo ciclo económico do “ouro branco”.

Para além da vertente artística, com esta mostra ficamos também a saber um pouco mais sobre a produção e o cultivo do açúcar e a sua contribuição para a alteração dos hábitos alimentares e da riqueza da região.

Segundo a História terá sido o Infante D. Henrique a importar cana-de-açúcar da Sicília e a introduzir o seu cultivo na Madeira, nos finais da primeira metade do século XV. O desenvolvimento dessa produção em larga escala permitiram a exportação de açúcar para os portos da Flandres, Bruges, Antuérpia, Génov, Nápoles, e de Constantinopla, primeiro através de Lisboa, depois diretamente, aumentando assim, por toda a Europa, o consumo do “ouro branco”, alterando hábitos alimentares e algumas práticas medicinais.
Em paralelo, cresceu a importação para o arquipélago de bens destinados a satisfazer as necessidades devocionais e a definir o estatuto social das comunidades constituídas à sombra dos canaviais e da economia açucareira.

Comissariada por Fernando António Baptista Pereira e Francisco Clode de Sousa, a exposição pode ser vista de 16 de novembro a 18 de março de 2018, na Galeria de Exposições Temporárias no Piso 0 do museu, de terça a domingo, das 10h00 às 18h00. O bilhete de visita ao museu custa 6 euros.

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