As 4 Estações estreia Hoje no Teatro Nacional D. Maria II

As 4 estacoes©Miguel BonnevilleUm espetáculo de teatro que tem por base as estações do ano e da vida estreia hoje no Teatro Nacional D. Maria II. O texto de As 4 Estações é um das partes do livro Transe-Expresso, de Alberto Pimenta que rapidamente esgotou e que Diogo Bento, Miguell Bonnneville e Elisabete Fragoso adaptaram para o teatro.

O autor define-o como um “discurso íntimo” e, por isso, está em palco apenas um ator. O texto é sobre a morte que acontece de dia para dia, de mês para mês, de estação para estação, seja ela de comboio ou do ano.

A história vai sendo contada pelo narrador e um velho (em voz-off) que vai falando ao longo da viagem de comboio – desde Campanhã, passando por Aveiro e Coimbra, e até Santa Apolónia – das suas memórias: a vida amorosa, as conquistas e as perdas, as primaveras e os verdes anos, os invernos e a velhice, as pessoas que o acompanharam ou atravessaram a vida.

Também podemos interpretar a peça como uma vontade de mudança na forma como encaramos a morte, um desafio à sua desmistificação. Acima de tudo, é um texto interventivo, que nos deixa a turbulhar num mar intempestivo ou a sorrirmos para os esqueletos que substituem as personagens.

As 4 Estações da Vida são: a Primeira, a da DIFERENÇA, tal como a primavera muda as folhas; a Segunda, a da UTILIDADE – como as cidades que servem para tudo e para todos e como as pessoas que fazem filhos para trabalharem para os outros; a Terceira, a da INUTILIDADE, em que tudo é perfeitamente o mesmo e leva ao mesmo lugar; e a Quarta, a da INDIFERENÇA – tudo é indiferente passados alguns anos: os prémios, as recompensas… não se distinguem.

Enquanto isto, é extremamente empolgante o que se passa em cena. O ator Diogo Bento vai transportando as peças que decoram o interior de uma casa, que fazem parte do quotidiano de uma vida, os instrumentos e acessórios que utilizamos nos momentos de lazer, os livros que nos dão cultura, os objetos íntimos de que não nos separamos.  Enfim, tudo o que ao longo das 4 estações do ano vamos usando, conforme o tempo e as temperaturas. Para a representação deste texto, o ator refere que criou “empatia com o tema da morte e da velhice. A cor branca que reveste todos os materiais que estão em palco simboliza a luz e a criança, e tudo o mais são intermitências da vida.  As lembranças que povoam a memória do velho são construídas aqui com esqueletos”. Diogo Bento vê n’ As 4 Estações “uma homenagem a Alberto Pimenta, professor e amigo, mas também pretendo chamar a atenção para questões da atualidade política, para além do tema da morte”.

Assistir a esta representação é descobrir uma criação teatral coletiva extremamente cativante sobre as 4 Estações da vida.

As 4 Estações está  em cena  no Teatro Nacional D. Maria II, de 26 de junho a 20 de julho, com apresentações às quartas-feiras às 19h15, de quinta-feira a sábado às 21h15 e domingos às 16h15.

Os bilhetes podem ser adquiridos localmente, e variam entre os 4 e os 6 euros.

Por Isabel Pedrosa

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