Arte e Amizade São os Motivos de Discórdia da Peça que já Estreou no Teatro Tivoli BBVA

Arte

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

O valor da arte contemporânea e da amizade são os temas em discussão na peça que estreou ontem, no Teatro Tivoli BBVA. A produtora UAU está a repor Arte, o galardoado texto de Yasmina Reza, com tradução de António Feio e nova encenação de Adriano Luz e Carla de Sá. O novo elenco é formado por Vítor Norte, João Lagarto e Adriano Luz.

A peça começa com Mário (João Lagarto) a comentar que o seu velho amigo de há vinte anos, Sérgio (Vítor Norte) comprou um quadro branco por 30 mil euros. O que um considera um achado, o outro acha que é um genuíno disparate.

A verdadeira discórdia começa quando ambos tentam convencer Ivo (Adriano Luz) a confirmar a sua opinião. No entanto, Ivo é conciliador e não quer tomar partido por nenhum deles, o que os deixa ainda mais enfurecidos. “Não vamos complicar as coisas por causa de um quadro, a vida é demasiado curta” diz Ivo a determinado momento. Mas as coisas complicam-se mesmo. Até, porque, como demonstra a autora, para manter a amizade, há que alimentar um certo nível de hipocrisia. As opiniões sinceras levam a que, ao longo da peça, os personagens questionem a razão pela qual se tornaram amigos.

Mário acha que o amigo se deixou levar por um impulso incoerente, mas Ivo chega a dizer que também sente a vibração monocromática que o quadro branco emana… Quanto vale afinal uma obra de arte? O texto questiona até que ponto o valor estético não está a ser confundido com o valor de mercado. Será que o facto de o quadro ter custado 30 mil euro influencia a nossa opinião sobre ele?

A construção hilariante dos diálogos e a forma como qualquer ser humano se identifica com as dinâmicas das amizades de longa duração faz com que a peça continue a ser um êxito, sem fronteiras. Estreada em 1994 no Comédie de Champs Elysées, em Paris, foi traduzida 2 anos depois e levada à cena em Londres, onde ficou durante 8 anos. O êxito teve réplica em Nova Iorque, onde conquistou um Tony (Óscares do teatro). A versão portuguesa foi traduzida por António Feio e levada à cena em 1998 e 2003, juntamente com José Pedro Gomes e Miguel Guilherme. Os ecos do êxito chegam ainda aos dias de hoje, e tornam inevitáveis as comparações. Um desempenho muito aquém do anterior caracteriza este elenco. Adriano Luz foi o único a arrancar uma grande salva de palmas, durante a noite de estreia, na conclusão de uma das suas extensas e emocionantes falas.

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Arte vai estar em cena em Lisboa, de quinta-feira a sábado às 21h30 e aos domingos às 16h30. Os bilhetes custam entre 12 e 18 euros.

Segue depois em digressão nacional, com paragem no Theatro Circo de Braga (1 e 2 de abril), Cine-Teatro de Estarreja (9 de abril), Auditório Municipal de Lagoa (16 de abril), Teatro Virgínia em Torres Novas (7 de maio), CAE de Portalegre (14 de maio), CAE Figueira da Foz (20 e 21 de maio) e Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra (3 de junho).

A peça estreia no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, dia 9 de junho, também com sessões de quinta-feira a sábado às 21h30 e domingos às 16h30, com preços entre os 8 e os 20 euros.

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