Arrancou Em Grande O Novo Festival De Música E Vinho Com O Douro Como Cenário

Reportagem de Rosa Margarida (Texto) e Paulo Soares (Fotos)

Nasceu ontem o novo festival junto ao Douro: Wine & Music Valley, “regado” com o melhor vinho da região vinhateira, recebido ao som de fabulosos concertos e “alimentado” por conceituados Chefes nacionais. Nasceu ontem, com o idílico Douro como pano de fundo, saudado por uma multidão, os olhos postos no céu, mais próximo no topo da roda-gigante. Nasceu ontem, acolhido com animação e diversão, pontuado com um grandioso fogo de artifício. Nasceu ontem e…já é enorme!

O dia inaugural do Wine & Music Valley sublinha a importância de um evento desta natureza para a Região Demarcada do Douro. Longe das urbes, o evento dá vida ao enoturismo e coloca, definitivamente, Régua e Lamego na rota dos festivais.

A música, dado imutável num festival, passa por dois palcos: o Douro Stage – palco principal do evento e o Wine Stage. É aliás, neste último, que se fazem as “honras da casa”, pelas 16h30, sob um calor abrasador, que nem a chuva passageira – e tão bem-vinda – dissipou. Serushiô, banda portuense com quatro discos editados apresentou Open Range, com o rock/folk a receber os festivaleiros. Seguiram-se, no Wine Stage, a brasileira Tainá, a preparar-se para lançar o seu disco de estreia homónimo a 20 de setembro; o projeto Omiri, de Vasco Ribeiro Casais e Tiago Pereira, “um dos mais originais projetos de reinvenção da música tradicional portuguesa” e, a fechar o palco, a banda de Pedro Tatanka, The Black Mamba.

O Douro Stage nomes que dispensam apresentações. O palco principal acolheu, por volta das 18h00, António Zambujo e o seu álbum Do Avesso com alguns temas da sua ampla discografia, com temas como “Valsa de um pavão ciumento”, “Flinstones”, “Multimilionário”, “Zorro” e “Sem Palavras”.

Salvador Sobral é o nome que se segue…em passo acelerado. O vencedor da Eurovisão da Canção achou curioso estar, no palco, a ouvir a atuação do Omiri, que atuava por essa altura, no Wine Stage e fez, no fim da primeira música, uma breve alusão ao facto em tom de brincadeira. Mas, após cerca de quatro música, o intérprete de “Amar Pelos Dois” pediu desculpa ao público e confessou não ter condições para apresentar a sua música, sob o ruído de fundo que teimava em elevar-se, abandonando o palco.

Mariza, a “rainha da noite” animou o público do Wine & Music Valley: a imensa presença em palco, a interação constante com o público, a magnífica voz do fado português, a expressividade e genuinidade de Mariza.

Um dos pontos altos da noite…quando a noite ainda era uma criança! O lendário Bryan Ferry, líder dos Roxy Music, desfilou, durante quase duas horas, os êxitos da banda britânica e não só, desde o “Slave to Love”, que arrecadou uma das ovações da noite, passando por “Dance Away”, “My Only Love” e “Take a Chance With Me”, entre outros temas. A fechar o palco e a primeira noite de festival, DJ Vibe e Rui Vargas.

Mas o Wine & Music Valley vai para lá da música! Estende-se pelos cerca de 70 produtores da região, instalados no Wine Village, um espaço central para promoção e degustação; passa pelo Wine Experience, um espaço dedicado a experiências sensoriais e vínicas, e sobe, na Parede de escalada ou na Roda-gigante, com um cenário magnífico a perder de vista, sem esquecer o VIP Village, um espaço exclusivo com área lounge, restauração dedicada, tenda com animação entre concertos e espaço privilegiado na frente do palco principal.

A par do vinho e da música soma-se a Gastronomia e apresenta-se a receita perfeita. O Chef Stage, com espetáculos de showcooking e degustação acolheu, no primeiro dia, os chefes Tiago Moutinho, Vítor Matos e Tiago Bonito. Os chefes, que foram, nos bastidores do stage, apresentando as sua propostas, com receitas, desde a Alheira Crocante com creme de grelos, ovo a baixa temperatura e cogumelos do Douro, de Vítor Matos; ao Porco Bísaro, raíz de aipo torrada, texturas de cebolas, de Pedro Pena Bastos, passando pelo Arroz de Pato (Castas e Pratos) de Tiago Moutinho.

Uma primeira edição a necessitar de “limar arestas”: os condicionamentos de trânsito e de estacionamento foram uma das questões levantadas no decorrer do evento, já que a organização que disponibilizava transfer gratuito da Régua e transfers marítimo (por 1 euro) entre o Cais do Peso da Régua e o Porto Comercial de Cambres, anulou, por questões de segurança, os transfers marítimos. Informação dada no final do evento que obrigou muitos festivaleiros a percorrer a pé os cerca de três quilómetros entre o recinto e a Régua, onde os carros tinham ficado.

O estacionamento de veículos na marginal do rio levou a longas filas no final do festival. O conceito “cashless”, a troca de dinheiro por carregamento em pulseira foi também causador de intermináveis filas, com apenas dois pontos de troca no recinto. Ainda que a organização apelasse para o carregamento através de aplicação smartphone, os festivaleiros tiveram de esperar longos períodos nas filas para “carregar” as pulseiras. O som dos dois palcos a misturarem-se, com atuações em simultâneo é outro dos factores a ponderar em próximas edições.

A fechar, com chave de ouro, a primeira noite do Wine & Music Valley, o maravilhoso fogo de artifício.

A festa continua hoje, com atuações dos Xutos & Pontapés, Seu Jorge, Wet Bed Gang e Carolina Deslandes, no Douro Stage e Xinobi& Anna Prior, Fogo Fogo, Bag Bang Romance e HMB no Wine Stage. Pelo Chef’s Stage passam nomes como Miguel Castro e Silva e Rui Paula.

O bilhete diário tem um custo de 25 euros e o bilhete VIP – esgotado na primeira noite – um custo de 60 euros.

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