Anthony Strong Deu-lhe Forte No CCB

 
O Grande Auditório do CCB acolheu hoje à noite o cantor, pianista e compositor britânico Anthony Strong, que caminha a passos largos para ser um habitué do nosso país, assim como da sala em Belém: estreou-se aqui entre nós em 2014, repetiu a dose o ano passado, e regressou agora, acompanhado pela Claus Nymark Big Band, para apresentar o seu novo álbum On A Clear Day.

anthony_strong2016-006Para quem só recentemente dobrou os 30 anos, a lista de álbuns é já relativamente extensa. O primeiro disco, Guaranteed, foi lançado em 2009. Seguiu-se Delovely, que acabou por catapultar o artista para o estrelato, ao atingir o topo das tabelas de vendas de jazz. Depois de assinar contrato com a francesa Naïve em 2013, veio o disco Stepping Out, que teve ampla repercussão na imprensa francesa e alcançou o primeiro lugar nas tabelas do iTunes e da Amazon Jazz.

Strong apresenta-se aprumado e elegante, num fato claro, qual súbdito de sua Majestade a visitar os trópicos, fazendo jus à alcunha “The English Gentleman”. Mas se a indumentária lhe dá um aspecto conservador – à excepção das meias meio caminho entre o lilás e o bordeaux –, praticamente tudo do que se seguiu escapou a esse carimbo. Até nas convicções políticas: Strong confessa que defende a permanência do Reino Unido na União Europeia.

O repertório é uma mistura de standards de jazz, misturado com outros clássicos como o “Unforgettable”, pelo meio de temas como o “Higher Ground” de Stevie Wonder, assim como alguns originais. É nos standards como o “Cheek to Cheek” (tocado rápido, muito rápido!) e “Too Darn Hot” que a irreverência de Strong mais se manifesta. Pegar nestes temas – que foram interpretados e reinterpretados ao longo dos tempos por gigantes – não é uma tarefa fácil. Exige alguma coragem, ousadia. Ou mesmo, quem sabe, irresponsabilidade. E, no entanto, o britânico pega neles, vira-os e revira-os a gosto, com uma quase desfaçatez que, a espaços, faz lembrar o seu conterrâneo Jamie Cullum, aquele que dá um chuto no piano ao mesmo tempo que canta a palavra “kick” do “I Get a Kick Out Of You”.

Dois momentos do concerto merecem destaque. Sofia Escobar, que foi colega de faculdade de Strong e quem ele não revia há cerca de dez anos, foi convidada especial e subiu ao palco para com ele cantar “Think Of Me”. O tema do Fantasma da Ópera foi dedicado à mãe do britânico, que se deslocou de Londres, juntamente com o pai, para assistir ao concerto. Imediatamente a seguir, Strong conta-nos que recebeu uma missiva na sua página de Facebook: um fã, Scott, pediu-lhe que dedicasse “When I Fall In Love” à sua mulher Inês, pedido devidamente acedido.

Para o encore foi reservado o “L-O-V-E”, em duo com o contrabaixista e cantado de pé e, por isso, dedicado aos espectadores que o viram de costas ao piano a noite toda. E, num segundo encore, desta vez a solo, , o “Whole Lotta Shakin’ Goin’on” de Jerry Lee Lewis, com uma ligeira adaptação da letra no final: Whole lotta shakin’ goin’ on at the CCB tonight.

Anthony Strong toca amanhã, dia 30, no Coliseu do Porto.

Reportagem de Daniel Carvalho (Texto) e Ana Filipa Correia (Fotos)

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