Anda Comigo Ver O Miguel Araújo A Arrasar Os Coliseus

Reportagem de Madalena Travisco (texto) e Ana Filipa Correia (fotografias)

Na contagem do próprio, foi a 37ª vez que pisou o palco dos Coliseus, mas desta vez em nome próprio – Miguel Araújo – na noite de 11 de novembro, no último de quarto concertos. Para trás ficaram duas noites na invicta, que teve primazia, claro, não fosse este homem um homem do norte. A noite anterior foi no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Ficou demonstrado que a malta do Centro também o merece e o reconhece.

Bora lá. Parte do alinhamento teve que ver com a apresentação do disco novo – Giestas. Parece que é o local onde Miguel nasceu, na Maia, distrito do Porto. Também há “Sangemil”, um dos temas do disco, que é localidade de Águas Santas onde há tempos houve uma casa de uma avó com uma sala no andar de baixo. Essa sala serviu de espaço de ensaio a uns tios que tocavam covers dos hits da época e foi assim que a música estrangeira e americana entrou na vida de Miguel Araújo.

Esses tios e amigos dos tios têm legado, como se verá adiante. Chegaram a ser a banda de suporte do Duo Ouro Negro quando tocava de Coimbra para cima… Houve também um tia-avó, de nome Luísa, que tinha um quarto sem janela onde aferrolhava brindes e revistas aguçando a fantasia do compositor que até lhe mudou o nome para a fonética da canção. “Quarto da Glória” pronuncia-se melhor, é menos fechado.

Esta primeira parte do concerto ou primeiro ato, em septeto, teve 9 temas que incluíram muitas histórias e a bela da “Romaria” com “Das Festas de Santa Eufémia” sussurradas pela plateia. Revelou também, do conjunto exemplar de músicos em palco, uma guitarrista e cantora chamada Joana Almeirante. “Não confundam com Almirante” – disse Miguel.

Na segunda parte, ou segundo ato do concerto, a banda alarga, e como se não estivesse a ser tudo bom, ainda continua, com êxitos, novidades e convidados. Uma valsinha “Será Amor”, um cheirinho a rock “Axel Rose” e o anúncio do primeiro amigo e companheiro de grandes jornadas: João Só, com quem voltou a dividir o “Vai por Mim” antes do “5 Minutos de Whiskey” e um “Readers´s Digest” mais acelerado.

Tempo agora para a segunda convidada que aderiu, com o esplendor de sempre, ao repto de recriar o que se fazia antigamente, quando o fado era dançado: Ana Moura com “Fado Dançado”.

A eterna “Recantiga” aquece as vozes da plateia que também acompanham “1987” com os pontos cardeais do Porto dos anos 80, como o Shopping Dallas por exemplo.

Ana Bacalhau foi a convidada seguinte – uma caríssima amiga a quem Miguel teve o enorme honra de escrever a canção “Ciúme” que partilharam com cumplicidade.

E do véu levantado acima vem a maior surpresa. Daquela sala de baixo da casa da avó de Miguel, onde gerações de tios e primos foram tocando versões das versões dos pais. O legado são os Kapas – tios, amigos de tios e primos – com uma versão da “House of the Rising Sun” que arregalou os olhos, despertou sorrisos e levantou os rabos das cadeiras para entusiásticos aplausos.


Os sorrisos, já com vozes, acompanharam a “Dona Laura” e os “Maridos (das Outras)”, apesar desta ter sido anunciada como a última música do concerto. Foi dada nota da razão pela qual só as mulheres cantam “Os Maridos das Outras”. Miguel observou e concluiu na noite anterior. E esclareceu: É porque, quando o Miguel canta que toda a gente sabe que os homens são brutos ou feios ou animais, ele pede também que o acompanhem com palmas. Ora toda a gente sabe que os cavalheiros não sabem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Cantar e bater palmas são duas coisas. É por esta razão que só as mulheres cantam “’Os Maridos das Outras”, ficou esclarecido.

Ninguém parou de aplaudir nem se sentou, aguardando o encore. Apareceu Miguel Araújo. A plateia regozijou.

Um comensal do jantar dessa noite foi desafiado a juntar-se no palco. “Zambas, estás aí?” – perguntou Miguel [Aplaaaaausos]

Ujos de volta no mesmo palco levaram-nos a “Ver os Aviões”, “Dar uma Voltinha na Lambreta” e “Ninguém Acredita o Estado em que Ficou o Nosso Coração”.

A este recheio de [boas] emoções, a “Balada Astral” com todos os músicos e convidados no palco fechou o concerto.

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