Alexander Kluge: Política Dos Sentimentos Na Casa Do Cinema Manoel De Oliveira

A Casa do Cinema Manoel de Oliveira, na Fundação Serralves, no Porto, acolhe, até ao dia 14 de novembro, a exposição A Retrospetiva Alexander Kluge, A Utopia Do Cinema, organizada em colaboração com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.

A programação, com curadoria de António Preto e Vincent Pauval, inclui ainda um programa de fim-de-semana dedicado ao legado do Manifesto de Oberhausen e uma conferência dedicada a Alexander Kluge.

Escritor, cineasta e filósofo, Alexander Kluge, hoje uma das figuras de proa da cultura alemã contemporânea, produziu, ao longo de sessenta anos, uma vasta obra fílmica que é um labirinto onde se cruzam formas e campos disciplinares muito diversos, numa síntese caleidoscópica de interrogações e perplexidades que atravessam as múltiplas frentes da sua ação política e cultural.
Aliando a crítica do racionalismo a uma estética de resistência, a obra de Kluge gravita em torno da ficção, das ciências sociais, da teoria do cinema, da história e da televisão. O seu projeto artístico consiste numa análise de fragmentos, onde o artista se deve deixar levar pelo kairos, esse momento oportuno e auspicioso, que ocorre inesperadamente e que não pode senão ser o aqui e agora do pensamento e da ação. Subscrevendo a teoria crítica da dita “Escola de Frankfurt”, que apela à urgência de colocar o pensamento em tensão com o presente, Kluge é um exorcista do recalcamento histórico, trazendo para a luz do dia uma “historiografia do inconsciente” que designa como “política dos sentimentos”.

Convidado a aprofundar o seu diálogo com Manoel de Oliveira, Alexander Kluge aproveitou o kairos desta sua primeira exposição em Portugal para se concentrar em Os Canibais (1988). Especialmente produzido para a exposição em Serralves e em conformidade com o seu interesse pela ópera, Hommage zu Manoel de Oliveiras Film-Oper Os Canibais (2021) coloca esse filme em ressonância com outros referentes culturais, históricos e políticos, que marcaram os séculos XIX e XX.

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