Agir, Regula e Xutos e Pontapés a Fazer Casa Cheia no Sol da Caparica

sol_caparica3_01Ao terceiro dia, o festival O Sol da Caparica esgotou a lotação. Agir e Regula, verdadeiros fenómenos de sucesso entre os mais jovens, têm já uma legião de admiradores que lutou para ficar o mais próximo possível do palco. Um mar de gente a perder de vista nestes dois concertos e a dar a entender que o hiphop e o rap precisam de mais espaço numa futura edição. No final, todos marcaram presença frente ao palco principal, para ver aqueles cuja música continua a unir várias gerações: os Xutos e Pontapés.

Berg foi o primeiro a fazer-se ouvir no terceiro dia do festival da Caparica e pela grande afluência que já se podia ver no recinto adivinhava-se noite de enchente. Verdadeiramente surpreendido pela grande concentração de pessoas junto ao palco, o músico começou com “Somebody Hear Me”. Interpretou ainda “Stay”, “Give me Your Love” e convidou Sensi a subir ao palco para com ele cantar “Make Love To”. Mais um momento que teve direito à quase obrigatória selfie de artistas com o público. “Blues”, uma canção de amor e um original do seu novo trabalho foi ainda apresentada na reta final.

Os curtos intervalos entre concertos permitem ver as provas que decorrem na rampa de skate ou espreitar as tendas de atividades desportivas na região, como as escolas de surf, windsurf ou paddle. Há demonstrações de graffities e arte urbana a decorrer em diferentes zonas do recinto e ainda a possibilidade de levar uma recordação estampada numa t-shirt num dos pontos de informação da autarquia.

[satellite gallery=28 auto=on caption=off thumbs=on]

 

Tito Paris abre o palco principal. Mais uma vez, neste festival, a música das ilhas da Morabeza em destaque. Teve a companhia de Berg, no palco, em “Sodade”. Enquanto isso, Tiago Bettencourt atuava no outro palco do Parque Urbana. Em dia de poucas falas, marcou presença como quem pica e ponto e segue caminho. Com um público ávido de ter “o Tiago” a tocar para eles, devolveu uma prestação aquém do esperado. Ainda assim, porque os temas são mesmo do agrado, cantou-se bem alto “Canção do Engate”, “Só mais Uma Volta” e “Morena”, o fim do alinhamento.

Se tivessem trocado palcos às 21h00, talvez o espaço ficasse mais de acordo com a afluência. Luís Represas tem o seu público, mais velho, seguro e melhor o amarra quando vai buscar músicas como “Feiticeira”, “Perdidamente” ou “Foi Como Foi”. E o que mais impressiona, neste festival, é a amplitude de faixas etárias. Se as avós estavam, de braços no ar, a assistir ao concerto de Represas na primeira fila, junto às grades, no outro palco, havia pais e tentar conquistar espaço para que os seus filhos (10, 12 anos???) conseguissem ver o grande ídolo: Agir. Durante a noite, qualquer movimentação do cantor no recinto provocava um congestionamento na circulação, como nunca assistimos. E apesar de não haver críticas ao som dos concertos no festival, não era fácil ouvir Agir nas primeiras filas, tamanha era a gritaria dos admiradores. Certo é que durante o concerto vai deixando críticas sobre a sociedade em geral, à mistura com mensagens de consolo para amores não correspondidos. “Agir Marry Me” pode-se ler numa t-shirt de uma pré-adolescente. A euforia foi ainda maior quando subiram ao palco Dengaz para “Encontrei” e Jimmy P em “Esconder”. Fechou com “Como Ela é Bela” e “Tempo é Dinheiro”. “Foi Top” dizem na linguagem da nova geração.

A batalha das 22h00 continuou a ser ganha pelos mais novos que voltaram a investir em massa no palco Blitz, desta vez para assistir a Regula, o rapper que não tem papas na língua. Trabalho acrescido para os paramédicos, que durante este concerto não tiveram descanso a recuperar jovens em estado de desfalecimento. “Cabeças de Cartaz”, “Casanova” e “Casca Grossa” levaram o público à euforia.

Miguel Araújo conquista pela simpatia e convence pela boa música que traz. Acompanhado de um conjunto de músicos divertidos e com a sua própria coreografia fazem com que o concerto não seja só mais um do cartaz e fique na memória. Poucas músicas para as muitas mais que todos gostariam de ouvir a terminar com o gigante coro em “Os Maridos das Outras”.

Batida, o projeto de Pedro Conquenão, regressou à Caparica, desta vez para comunicar a música, os ritmos e a dança de África para um público bem mais vasto. Não serão todos conhecedores desta dinâmica cultural, mas ninguém ficou indiferente às mensagens e à boa energia que veio do palco.

[satellite gallery=29 auto=on caption=off thumbs=on]

 

Depois da hora da Cinderela, os lenços vermelhos e as gastas e mais que usadas t-shirts com o “X” voltam a ganhar vida. Os Xutos e Pontapés entram com “Salve-se Quem Puder” e deram um bom concerto, daqueles que se tornam especiais na margem sul. Um cenário a imitar uma parede de tijolo, a fazer a ponte para o início da banda e os ensaios em garagens. Têm história, carisma e continuam a fazer boa música. Um concerto que ultrapassou a hora marcada e com direito a dois encores passou por temas como “Contentores”, “Não Sou o Único”, “O Que Foi Não Volta a Ser”, “Chuva Dissolvente” ou “À Minha Maneira”. Ficámos também a saber que a única pessoa no público que se consegue enganar na letra de “O Homem do Leme” é o próprio Tim. Mas perdoamos-lhe…
Depois de “A Casinha” regressam ainda para selar com “A Tentação”.

O Sol da Caparica tem hoje, no quarto dia, um público muito especial: as crianças. Há concertos, animação e insufláveis até às  18h00.

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.