A Voz, Simpatia E Entusiasmo De Adele Em Concerto No Meo Arena

Reportagem de Tânia Fernandes

São já raros os grandes concertos que não terminam numa gigante explosão de confettis pelo ar. No primeiro concerto de Adele em Lisboa, que decorreu no Meo Arena, depois da chuva de papelinhos, era ver as pessoas dobradas na direção do chão a apanhar um e outro, e depois mais outro. Todos eles, personalizados com mensagens escritas à mão, com excertos de letras das canções se ouviram pela mais extraordinária das vozes. “regrets and mistakes/ they’re memories made”; “everybody loves the things you do”; “all my love Adele”.

Duas horas de concerto para sentir as canções da diva, mas também para ouvir as histórias e piadas que ela tem para contar. Impressionada com o entusiasmo do público português, concedeu-nos o prémio de “melhor assistência do mundo” e no final, brindou-nos mesmo com “melhor concerto da minha vida”. Uma noite de surpresas, emoções e muitos sorrisos.

Poucos minutos passavam das 20h00, a hora marcada para o início do espetáculo. Bilhetes esgotados, já há meses, numa espera interminável pelo momento em que as luzes se apagam. Os olhos fechados, projetados no ecrã gigante abrem-se e do outro lado da sala ouve-se “hello… hello…” . “Olááááááááá” responde o Meo Arena. Adele surge, não no palco principal, mas no centro do recinto e é aí que começa o espetáculo. A euforia com a visão da artista é ensurdecedora. Circunstância que a própria artista admite mais à frente “Nunca ouvi uma multidão tão ruidosa!”.

AdeleNo final da música, Adele, percorre o corredor central na direção do palco onde continua com “Hometown Glory”. Ao vídeo que é projetado no fundo foram acrescentadas imagens da vista aérea de Lisboa, com reação imediata do público ao “mimo”. É depois de “One and Only” que Adele começa a falar com o público. Deixa desde logo o aviso de que o concerto vai ter muitas musicas tristes e se há quem ali esteja que não sabe ao que vem, vai sair aborrecido. Ela avisa…

Mas diz que também vai ter uma ou outra canção alegre e uma delas é a que se segue: “Rumos Has It”.

Há uma tela com transparência que vai ocultando ou revelando a banda que a acompanha. E Adele começa as longas pausas de conversa com público que diz ser, muito importante. Para ela um espetáculo é 50% do artista e 50% do público e essa parte, para ela, já atingiu os 100%. Quer saber de onde vêm as pessoas, se receberam os bilhetes como presente de natal, aniversário ou de casamento.

Continua com temas do seu mais recente álbum 25: “Water Under The Bridge” e “I Miss You”.

Volta a dar atenção à plateia e chama ao palco duas crianças: a Catarina e o Pedro. Todos cantamos os parabéns à Catarina, a quem saiu “o grande prémio” da noite e é a própria Adele quem insiste para que a família lhes tire uma fotografia. Pose feita, o espetáculo continua para “Skyfall”, não sem antes, Adele partilhar a forma como surgiu o convite para criar o tema para a banda sonora do filme de James Bond e pôr todos a rir à gargalhada com as peripécias.

Entra em modo acústico, neste tema, que ao vivo, parece ainda mais belo e intenso que o registado. A voz de Adele é irrepreensível e todos acompanham em coro.

O Meo Arena mais parece uma sala de estar e a conversa descontraída de Adele destrói o mito de super estrela, apesar de colecionar grammies e prémios, como todos temos peças de lego. Profissional e com uma atuação irrepreensível, ela parece depois uma criança irrequieta, nos intervalos das canções a querer adar atenção a todos os que ali estão. Querem tirar fotos? Ela faz pose, sorri para os telemóveis, faz caretas… preferem antes assim? A conversa é fluida, sem travões, o que faz com que às vezes saia um ou outro palavrão.

Continua com “Million Years Ago” também de 25, um tema que remete para a adolescência. E engana-se na letra. Pára tudo. Larga a rir à gargalhada, pede desculpa e recomeça.

Conta que está em Lisboa desde quinta-feira, que o filho a acordou às cinco da manhã, foram passear ao jardim zoológico e que a comida portuguesa é fabulosa. Ainda perguntou pelo dono do restaurante, mas não se torna fácil descobri-lo no meio de 18 mil…

“Don’t You Remeber” é uma das suas músicas preferidas, do álbum 21 e no ecrã, a sua imagem projetada funde-se com o vídeo.

O coro junta-se à frente de palco e Adele conta a saída à noite, em Lisboa, em que acabou por ir ver Bruce Springsteen. “Send My Love (to Your New Lover)” chega em versão acústica e volta a trazer ritmo e alegria para o ambiente. Que, pela boa disposição da artista, nunca chega a ficar soturno.

Mas há espaço para alguma reflexão. “Make You Feel My Love”, a cover do tema de Bob Dylan que gravou em 19 é dedicada às vitimas do acidente da EgyptAir . Continua com “Sweetest Devotion”, também do novo álbum e depois volta a mergulhar no fosso, em direção ao centro da sala para um intenso “Chasing Pavements”.

Recebe flores do público e parece que por vezes se esquece de que está em palco, pois concentra a sua atenção nas pessoas que tem à frente. Sobre “Someone Like You” diz ser a canção que lhe mudou a vida. Um coração partido que intensificou a sua capacidade criativa. Pede para todos ligarem a luz do telemóvel, criando um ambiente especial de pequenas luzes. O coro que vozes que se faz ouvir à impressionante.

Já próximo do fim, Adele admite que para a sessão do dia seguinte vai aumentar o volume do seu auricular, pois ouve momentos em que, ela própria, não se conseguiu ouvir. Despede-se por alguns minutos e regressa num cenário surpreendente. Chove torrencialmente no centro da Arena, com Adele, no meio do círculo da queda de água, a interpretar “Set Fire to The Rain”.

Já em encore, ao som do piano, regressa ao sentimental “All I Ask”. Explica que, depois de ter sido mãe, voltou a levar tempo até conseguir compor. “When We Were Young” foi a primeira música que conseguiu fazer, que correspondia ás suas expectativas. O tema é acompanhado da projeção de fotografias suas, antigas, em criança, adolescente, a terminar depois numa bonita imagem em que está grávida, que fez reagir o público. Últimas despedidas, carinhosas e emocionadas, antes do último grito da noite, com “Rolling In The Deep”.

AdeleAdele regressa hoje, às 20h00 ao Meo Arena, para um muito desejado concerto. Os bilhetes já se encontram esgotados.

 

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