A Poesia de Tiago Bettencourt ao Vivo em Lisboa

Tiago Bettencourt
Tiago Bettencourt

Depois do Porto, Tiago Bettencourt trouxe a sua poesia ao vivo para Lisboa. Cantada, tocada, muitas vezes sussurrada e às vezes gritada. Trouxe amigos, com quem partilhou o palco, repartiu as suas cantigas, e pôs também a mão nas deles. Inês Castel-Branco, Paulo Gozo e Márcia foram as surpresas de uma longa noite que atravessou a carreira do artista e se fez também de improvisação em modo de “discos pedidos”.

A noite era de celebração, mas também de alguma consternação face aos acontecimentos de Paris. Apenas dois focos iluminavam Tiago Bettencourt quando ele entrou em palco e fez questão de assinalar os trágicos acontecimentos da noite anterior com um minuto de silêncio pela paz. O Coliseu mergulhou na escuridão, num intenso momento de recolhimento.

Tiago começou um concerto sozinho, ao piano, com “X”, um tema que tem letra de Florbela Espanca e fez parte de um projeto à parte, o álbum Tiago na Toca e os Poetas, onde musicou alguns poemas. No registo, “X” foi partilhado com Carminho.

A banda entra para “Espaço Impossível”. Passa depois para a guitarra e vai sendo esta a troca constante do músico ao longo da noite. A bateria marca o compasso e entram em “Largar O Que Há em Vão”.

Tiago avisa desde logo que fizeram alinhamentos para Lisboa e Porto e que pediram ajuda ao público, através das redes sociais, para que enviassem sugestões de temas que gostariam de ouvir ao vivo. “Sol de Março foi um dos que saiu dessa lista”. Ao quinto tema, a piada da noite para o público português que tem a sua forma descontrolada de bater palmas: “Nesta música vão ter uma vontade irresistível de bater palmas, tentem resistir até ao terceiro refrão para não estragar tudo…” pede. “Canção Simples”com o público a concluir as estrofes suspensas pelo cantor, “Pó de Arroz” , um original de Carlos Paião que o Coliseu acompanha de forma efusiva, “Fúria em Paz” e o ritmo muda para “Ameaça”. “Estávamos na dúvida se isto era um auditório ou um estádio” comenta o nosso anfitrião da noite.

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Inês Castel-Branco foi um dos duetos inesperados, que teve direito a partilha do momento do convite com o público. “Um dia vou dizer aos meus netos que cantei no Coliseu” respondeu ela ao desafio.

Tiago Bettencourt regressa depois ao piano para mais um tema pedido: “O Lugar”. “O Campo”, “O Jogo” e um regresso ao passado dos Toranja com “Laços”. Seguiu-se “Sara”, uma das suas belas dedicatórias às mulheres, para depois explodir numa das versões que fez com maior sucesso “A Canção do Engate” de António Variações. “Só Mais Uma Volta” do tempo dos Mantha, para depois chamar ao palco outro dos seus amigos: Paulo Gonzo. Fizeram uma versão surpreendente e intensa de “Maria”, para pois Tiago emprestar o seu doce timbre vocal ao sofrido “Ser Suspeito” de Paulo Gonzo.

A noite aproxima-se do fim, e o cantor apresenta a banda, sem esquecer os técnicos de som, luz, com que se percebe que mantém grande cumplicidade. “A Carta”e depois “Morena” antes de se retirar por alguns minutos, depois de quase duas horas de concerto.

O Coliseu está cheio, e quer mais. Regressa com Márcia pela mão, e brinda-nos com mais um momento intimista: “Se Me Aproximar” para depois trocarem a autoria e tocarem “A Insatisfação” dela. “Poema de Desamor”, pedem do público e ele avança, não sem antes deixar o aviso de que é capaz de se enganar na letra… riscos do improviso. “Aquilo Que eu Não Fiz” antes “Do Princípio” mais um no qual ele admite tropeçar. “Eu também não sei se me lembro da letra, mas invento porque sou poeta” e acaba sentado no chão, na frente do palco, tão próximo quanto possível do público.

Fechou em grande festa com “Chocámos Tu e Eu”, numa noite em que a poesia foi servida em generosas doses de doce melodia.

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

 

 

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