A música deu à Costa no Sol da Caparica

FReportagem de Tânia Fernandes e António Silva

“A MÚSICA DEU À COSTA” lê-se no pórtico de entrada do Festival Sol da Caparica que ontem abriu portas. A primeira noite de uma edição em estreia foi de grande afluência. Os sons lusófonos foram a grande aposta deste cartaz e, não sendo um festival de estreias ou novidades, não deixa de ser impressionante ver a forte adesão de público. Os Buraka Som Sistema foram os mais aclamados de uma noite em que se festejou a música, com toda a tranquilidade de quem procura uma animação descontraída depois de um dia de praia.

Jovens aos bandos, famílias com crianças pela mão são já presença habitual neste Parque Urbano da Costa da Caparica. No entanto a disposição que  o espaço ganhou para receber o festival, descaracterizando alguns pontos de referência, levam-nos a um crer que estamos num “novo espaço”. Uma avenida lateral ao recinto disponibiliza variadas opções para matar a fome, com bastantes mesas e bancos. Ainda que a área não seja extensa, os dois palcos convivem bem, relativamente perto um do outro, sem que haja interferência de som. E o recinto acaba por ser uma espéciel de carrocel, com o vai e vem de festivaleiros entre palcos, com a possibilidade de assistir a cinema pelo meio, ou conhecer as variadas atividades desportivas que há para fazer na região (surf, windsurf, kite surf, padel, entre outras).

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A chave de abertura do palco principal foi entregue aos Dead Combo, que responderam à altura, com o habitual bom desempenho, ao qual se juntou a exemplar encenação cenográfica. Que todos os santos se mantenham do lado destes músicos.
Enquanto isso, do outro lado Samuel Úria faz a surpresa da noite. Trouxe um convidado, Tiago Bettencourt que com ele interpreta o tema “Morena”.
De regresso ao palco principal para ver GNR. Rui Reininho, excessivo na língua, acutilante nas farpas, mas sensato quando assume preferir o que é português, para além do bacalhau e do cozido! A voz já pode ter tido melhores dias, mas a uma seleção de ouro em tão curto alinhamento, tudo se perdoa. “Efetivamente”, “Morte ao Sol”, “Aos 16”, “Asas”, “Cais”, “Sangue Oculto” e uma nova versão de “Sete Naves” fizeram parte da atuação. Reininho conseguiu mais alvoroço pelo que foi dizendo do que pelo que cantou. Plateia demasiado jovem para conhecer o percurso de uma banda que já lá esteve em cima. Fecharam com um “Mais Vale Nunca” em jeito de recado.
Do outro lado, Capitão Fausto, uma das bandas que se continua a assumir no panorama musical português seguram os que preferem as sonoridades menos pop.
As meninas passam para a primeira fila para gritar por João Pedro Pais, que entretanto chega ao palco principal disposto a distribuir boa energia. Somam-se os êxitos: “Não há”, “Havemos de lá chegar” e “Louco por ti” são alguns dos temas que toca e canta em conjunto com o público.
O palco secundário transbordava para assistir aos grandes homenageados da noite. A formação já nem é a que deu fama ao tema, mas é certo que toda a gente conhece os Peste & Sida e o seu mega sucesso “Sol da Caparica”. Foi o terceiro tema que tocaram, com direito agitação frente ao palco pelos fans. Dos antigos, recuperaram também “Bule bule” e “Orgia paroquial” que parece estar ainda bem presente na memória dos presentes. Por aqui, o punk não morreu.

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Gabriel o Pensador foi o primeiro a pisar o risco do tempo controlado de menos de uma hora por banda. “Que horas são?”, pergunta a determinada altura a uma garota. “2,3,4,5,Meia,7,8” foi um dos temas que pôs o recinto aos saltos. Artista, mas também um grande comunicador, foi abraçando o público com carinho. Abriu com um dos mais recentes sucessos “Sem crise” e passou por “Surfista Solitário”, “Na palma da mão”, “Tudo certo”, “Festa da musica do Tupiniquim” e a despedida com “Atronauta”. “Fico feliz demais quando vejo a galera cantar!” referiu emocionado durante o espetáculo.
“Sol da Caparica, estão prontos para Buraka Som Sistema?” pergunta Kalaf desnecessariamente. Dos mais velhos, aos mais novos, todos esperavam os BSS para mais um dos seus concertos eletrizantes. Uma espécie de festa da onomatopeia que parece contagiar todos: “bababababa”, “nhenhenhe”, “duhduhduh” são repetidos até à exaustão com o corpo a acompanhar. Do fundo do recinto vê-se uma enorme maré de gente a pular, de braços no ar e uma nuvem de poeira no ar. “Stoopid”, “Parede” com a encenação pimenta de Blaya, “Aqui para vocês” e “Vuvuzela”. “Nós gostamos de viajar pelo mundo e de apanhar cada gesto, cada cultura” justificam antes de introduzir “Komba”. A passagem dos BSS pelo recinto teve ainda direito a uma grande invasão de palco depois de se ouvir a voz de comando “A Buraka é dona do terreno? É dona do terreno?”. Os mega êxitos ficaram para a despedida: “Kalemba”,“We Stay Up All Night” e “Voodoo love”.

Hoje atuam os muito esperados, e quase da casa, 5-30,  e a malta do norte Expensive Soul e Pedro Abrunhosa. Ainda que o ambiente seja quente, trazer um agasalho é opção sensata. Para os indecisos, relembramos que ainda há bilhetes à venda. O bilhete diário custa 15 euros, há descontos para os municipes.

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