A Lei De Murphy Em Palco Com A Peça Que Dá Para O Torto

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

A Peça Que Dá Para o Torto

“Pedimos desculpa por uma ou duas coisas que possam ter corrido menos bem, durante a primeira parte”, diz-nos o personagem Carlos Feijó, encenador de “O Crime na Mansão Haversham” depois do intervalo. A verdade é que nesta peça, a que assistimos dentro de A Peça que Dá para o Torto, haverá apenas duas ou três coisas que possam ter corrido bem. A mais recente produção da UAU está em cena no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa, e é uma comédia hilariante.

Elaborem uma lista do que pode correr mal numa estreia de teatro. Desde a má preparação dos atores, aos constrangimentos de orçamento de produção, que resultam em cenários de fraca qualidade. Envolvam tudo na lei de Murphy e “qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível”. É este o enredo de A Peça que Dá para o Torto, uma sucessão de gags, na sua maioria físicos, interpretados de forma excecional pelos atores envolvidos: Alexandre Carvalho, Joana Pais de Brito, Cristóvão Campos, Telmo Mendes, Miguel Thiré, Igor Regalla, Inês Castel-Branco, Telmo Ramalho, João Veloso, Rita Silvestre e Valter Teixeira.

Assistimos à estreia, atribulada, de “O Crime na Mansão Haversham” pelo Núcleo de Teatro da Sociedade Cultural e Reacreativa do Sobralinho.

Uma narrativa sobre um assassinato de contornos misteriosos, que acontece na década de 1920. Os investigadores vão ter de perceber quem e? o assassino.  Só que nem tudo corre de acordo com o guião e estes “inexperientes” atores são obrigados a improvisar.

The Play That Goes Wrong

O original estreou em Londres, há cinco anos. A autoria do texto original é de Henry Lewis, Jonathan Sayer e Henry Shields. É uma produção do Mischief Theatre  com encenação de Hannah Sharkey.

O espetáculo que estreou esta quinta feira, em Lisboa, foi traduzido e adaptado por Nuno Markl e tem encenação de Frederico Corado. No entanto, pela especificidade do desenrolar da estória, a produtora optou por fazer, pela primeira vez, em Portugal um réplica show. Este conceito define-se pela compra da totalidade de um projeto. Foram assim, adquiridos os desenhos de luz, som, cenário e guarda-roupa, o que faz com que a peça seja apresentada nos seus moldes originais e, por isso, coincida com as apresentações de, por exemplo, Londres, Nova Iorque e Madrid. A única alteração é tradução do texto para português e a selec?a?o do elenco, com atores nacionais.

Já arrecadou importantes prémios de Teatro, na categoria de “melhor comédia”,  nas cerimónias de Whats on Stage Award, BroadwayWorld UK Award e Laurence Olivier Award. Também se tem destacado nos Estados Unidos, com prémios no Tony Award e Drama Desk Award.

A Peça Que Dá para o Torto pode ser vista no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa, de quarta-feira a sábado às 21h30 e aos domingos às 17h00. Os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais e custam entre 20 e 22 euros.

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