A festa das artes no Belém Art Fest

Belem Art FestReportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Palcos montados em recintos onde habitualmente o silêncio é respeitado enchem-se com músicos e instrumentos a debitar decibéis. Há corpos em movimento em espaços que vivem da exposição de peças milenares inertes. Abriu portas ontem o Belém Art Fest, o festival que reúne as várias disciplinas artísticas em espaços museológicos, fora de horas. A noite foi de abril águas mil, comprometendo a circulação entre espaços. Ainda assim, munidos de guarda chuva, muitos foram os que não quiseram perder a oportunidade de beber um copo e abanar o corpo, à noite, no museu.

É preciso atravessar um corredor estreito na zona de escritórios do Museu Nacional de Arqueologia para chegar ao Salão Nobre onde decorrem os espetáculos. O ambiente é de penumbra e a boa acústica do espaço é envolvida pelas vozes de Francisca e Mariana. Em palco estão os Minta & Brook Trout que aproveitam a oportunidade de ter novo público para apresentar temas ainda por editar.
A animação neste Museu não se resume a concertos. Se se explorar os recantos, podem-se ter lições de fotografia em sala preparada para o efeito, ou aprender as mais recentes técnicas de maquilhagem com os Tesouros da Arqueologia Portuguesa em redor. Há um piscar de olhos ao verão com a venda de produtos de praia como toalhas e alpergatas mas também umas bancas de sandes estrategicamente colocadas prontas a saciar os mais resistentes.
Noiserv, o projeto musical de David Santos foi uma das grandes atrações de sexta feira neste espaço. De seguida, em frente ao palco estendeu-se o tapete, que foi prontamente ocupado por três sensuais e um tanto ou quanto intimidantes bailarinas. A dança do ventre, com sabre na mão, garantiu que o público não ousasse por um pé em falso.

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O Picadeiro Real do Palácio de Belém, que por enquanto ainda alberga o Museu Nacional dos Coches é outro dos pontos de animação do Belém Art Fest. Os Jovens Solistas da Metropolitana ocuparam o espaço ontem. Entre coches e fechando os olhos, pelo som que nos chegava dos violinos, quase se poderiam dizer que a infantaria vinha a caminho. As visitas a este museu revelaram-se muito rotativas. O público passeia pelo espaço, sobe ao primeiro piso e sente a música enquanto observa as peças históricas.
Poisados os violinos, começa-se a ouvir o violoncelo mais perto da entrada do museu. Melodium é a proposta que se segue, de música e bailado clássico. Joana Correia marca o ritmo no violoncelo enquanto Joana Inês Santos, bailarina, rodopia, qual cisne fora de água.

No claustro do Mosteiro dos Jerónimos Rita Red Shoes apresentou os temas de “Life Is a Second of Love”, o disco que irá lançar dentro de um mês. O espaço é magnífico, mas a acústica não será a mais indicada para receber este tipo de concerto. Ainda sim, e apesar do frio e da chuva, foram muitos os que marcaram presença neste espaço, para ouvir temas como ”Choose Love” ou “Dream on Girl”. Encantada com o local e a proximidade com a plateia, Rita trouxe um convidado especial: Gui Amabis, produtor do novo disco que se juntou à banda em palco.

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Com o palco montado no hall de acesso ao Museu Coleção Berardo o cenário destes artistas torna-se quase certamente o mais valioso das suas carreiras. Carolina Deslandes aguçou a curiosidade dos presentes e Thomas Anahory deu bom ritmo ao ambiente cuja adesão foi crescendo ao longo de atuação. Sendo este o último espaço do Belém Art Fest a fechar portas, artistas, músicos e público foram aqui chegando para a grande festa da noite, animada pelo DJ Ricardo Guerra.

Hoje há mais Belém Art Fest. Sérgio da Silva, Tango ou Ana Sofia Varela no Museu Nacional dos Coches; Sapateado, Walter Bejamin, Jazzy Crew e Cais do Sodré Funk Connection no Museu Nacional de Arqueologia; Beatriz Pessoa e Gospel Collective no Mosteiro dos Jerónimos; Exibição de curtas, Orchidaceae, Wack, Jukebox Crew; Da Chick e DJ Kamala no Museu Coleção Berardo. Os bilhetes de acesso para um dia custam 12 euros.

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