A Energia Contagiante de Batida no Caparica Primavera Surf Fest

BatidaReportagem de António Silva e Raquel Vaz

Mais do que um simples concerto, o que Batida trouxe ao Caparica Primavera Surf Fest foi um espetáculo de música, ritmo, dança, vídeo e performance. Pedro Coquenão e aos seus convidados proporcionaram momentos ricos de cor e energia que contagiaram os presentes.

À hora marcada o ambiente era desolador. Os poucos festivaleiros presentes na tenda espraiavam-se nos puffs, sem dar grande mostra de se querer levantar e por a pular. Como é que um projeto que apela ao ritmo inicia um concerto nestas condições? Com um grande à vontade e sentido de comunicação. Pedro Coquenão entrou no palco sozinho, às 22h00, a felicitar os (poucos) que revelaram sentido de pontualidade. Sentou-se no chão, chamou as pessoas à frente e começou, em amena cavaqueira, modo “tu-cá-tu-lá” a explicar a origem do projeto e a forma como foi ganhando dimensão. Do programa de rádio que teve e do gosto por mostrar música Africana. E como exemplo, pôs a tocar um antigo single de música africana, dos anos 60/ 70, como exemplo de sonoridade que lhe serviu de inspiração às suas atuais criações. Ivo, o baterista, foi o segundo elemento a entrar em palco e começou por ritmar “Carnaval”, a música gravada.

[satellite gallery=11 auto=on caption=off thumbs=on]De forma tímida, as pessoas foram-se chegando à frente e o nosso anfitrião disse que um dos membros dos You Can’t Win Charlie Brown, banda que ali havia tocado na noite anterior, bem o havia avisado de que tinham começado o concerto com umas “dez pessoas em frente ao palco, mas rapidamente passaram a duzentas!”.

A explicação sobre a forma como a apresentação foi construída continua “Ocorreu-me incluir imagens do que vai acontecer”. E começamos a ver vídeos de atores da vida real, com testemunhos tão genuínos quanto originais.

O gelo estava quebrado e puderam então dar início ao concerto com “Cuca”. Os pés começaram a não conseguir ficar quietos e a querer acompanhar o ritmo. Em palco, os bailarinos dançam frenéticos. Tudo aqui é revelado e para o tema “Pobre o Rico” Pedro Coquenão dá-nos a conhecer não só a música que o inspirou, de Matadidi Mário, como as imagens do filme que contribuíram para o processo criativo, do primeiro filme angolano, realizado pela Sarah Maldoror, nos anos 70.

“Bazuka”, “Ka Heueh”, “Marimbando”, “Tribalismo” foram fazendo subir a temperatura na tenda que incendiou quando o Carnaval se instalou. As projeções históricas de vídeo vão dando também a conhecer acontecimentos, como o facto de o carnaval angolano ter estado na origem do brasileiro. Distribuíram apitos pelo público e o barulho tornou-se ensurdecedor!

“Alegria” foi o último tema que tocaram, antes do encore, com a entrega entusiástica dos dois bailarinos que animaram o público toda a noite.

“Eu tenho aqui no papel o tema “Luxo”, mas só se o público pedir muito!” diz ao regressar ao palco. Todos pediram MUITO!

[satellite gallery=12 auto=on caption=off thumbs=on]Dj Overule e mais tarde DJ Glue mantiveram o ritmo noite fora.
A tenda volta hoje a abrir portas pela última vez, com Da Chick, Magazino e Nuno di Rosso. As entradas custam 10 euros.

 

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