70 Anos da TAP Assinalados em Exposição no Museu do Ar

Reportagem de Elsa Furtado (Texto e Fotos)

70 Anos de vida é a bonita idade que a TAP Portugal completa este ano, uma efeméride assinalada com várias exposições, acções, promoções e eventos, alguns abertos ao público, como a exposição 70 anos a Voar / A Linha Imperial – Uma Ponte Entre a Europa e África, patente ao público no Museu do Ar em Sintra.

É entre as peças da exposição permanente no hangar de Sintra, junto à Base Aérea Nº1, que o visitante pode ficar a conhecer um pouco da história da companhia aérea de bandeira nacional, uma das suas aeronaves mais icónicas – o DC3, mais conhecido por Dakota e uma das rotas mais emblemáticas da história da aviação nacional – a Rota Imperial, a 2ª rota comercial operada pela TAP.

Em Sintra, o visitante tem à sua espera uma área com mais de 8000 m2, onde estão expostos mais de 40 aviões e helicópteros, simuladores, entre outros equipamentos, que contam um pouco da história da aviação nacional. Na secção dedicada à TAP, com 700m2, é possível conhecer a história da companhia até aos dias de hoje, o primeiro simulador de voo por instrumentos, fardamento, louça utilizada a bordo e a também a evolução da imagem da empresa (logótipos).

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Dakota

A estas peças, junta-se agora o Dakota, totalmente restaurado (por voluntários do museu e do Vintage Aero Clube), e onde se podem ver alguns objetos originais (alguns deles particulares emprestados para a ocasião), como um diário de bordo, no interior do aparelho reconstituído à semelhança do original.

De origem americana, construído para uso militar pelos aliados, e posteriormente adaptado à aviação civil, o Dakota, foi dos primeiros equipamentos da TAP, adquirido em 1945, com capacidade para 21 passageiros, e que realizaram a Linha Aérea Imperial, que ligava Lisboa a Lourenço Marques (12,500 quilómetros).

O Dakota, agora exposto, foi adquirido em 1987, à DGAC (Direcção Geral de Aeronáutica Civil), o CS-DGA, para fazer parte do espólio do museu da TAP, e que ostenta a matrícula CS-TDA, para homenagear o seu primeiro avião. Em 2012 foi transferido para o Museu do Ar, onde foi todo restaurado e pintado. O avião vai ficar em exposição, mas o seu interior só poderá ser visto em visitas guiadas previamente marcadas.

A Rota Imperial, (designação que se manteve até 1954), aqui recordada através de painéis documentais, com reproduções de fotografias, bilhetes de embarque, manifestos de voo, menus de bordo, e testemunhos, entre outros materiais, foi uma das razões para a criação da companhia dos Transportes Aéreos Portugueses (TAP), em 1945, para ligar a “metrópole” às colónias africanas.

O voo inaugural teve lugar a 31 de dezembro de 1946, e descolou do Aeroporto da Portela com o número de voo 1250/1; tripulado pelo comandante Manuel Maria Rocha, segundo piloto-navegador Roger de Avelar, mecânico Manuel Fonseca da Silva, radiotelegrafista Armando de Almeida Pombo e A/B Lurdes Martins.

O percurso da viagem inaugural passou por Casablanca e Vila Cisneros (Daklha), em Marrocos, Bathurst (Banjul, Gâmbia), Robertsville (Libéria), Accra (Gana), Libreville (Gabão), Luanda (Angola), Leopoldville (Kinshasa), Luluabourg (Kananga) e Elisabethville (Lubumbashi) no antigo Congo Belga e depois Zaire, atual República Democrática do Congo, Salisbúria (Harare, antiga Rodésia, actual Zimbabwe) e, finalmente, Lourenço Marques (Maputo, Moçambique, num total de 12 escalas, seis dias de viagem (com cinco de pernoita), 46h15m de tempo total de voo e uma extensão de 12.585 km (ida), sendo na época a mais longa linha operada em avião bimotor DC3.

Presentemente, a TAP Portugal é a principal companhia aérea portuguesa, em operação desde 1945 e realiza ligações para 88 destinos, espalhados por 38 países, sendo 14 deles em África, com voos directos para: Marrocos (Casablanca, Marraquexe, Tânger), Argélia (Argel), Senegal (Dakar), Gana (Accra), São Tomé e Príncipe (S. Tomé), o Mali (Bamako), Cabo Verde (Sal, Paria, São Vicente, Boavista), Angola (Luanda) e Moçambique (Maputo). O que resulta numa média, cerca de 2500 voos por semana; e dispõe de uma moderna frota de 77 aviões, com 61 aeronaves de modelo Airbus, mais 16 aeronaves que operam com as cores da PGA (Portugália Airlines).

Nas palavras do Secretário de Estado dos Transportes Sérgio Silva Monteiro, aquando a inauguração da exposição, no passado dia 14 de março, data em que a Companhia celebrou os 70 anos, “A exposição visa lembrar e homenagear uma época dourada, em que a missão da TAP era levar Portugal ao Mundo e trazer o Mundo a Portugal”, uma missão que o governante diz que continua a ser a missão da companhia nos dias de hoje e também no futuro”.

A mostra está patente ao público no Museu do Ar, na Base Aérea nº 1 – Granja do Marquês, em Sintra e pode ser vista de terça-feira a domingo, das 10h00 às 17h00, com visitas guiadas às 10h30 e às 14h30.

Os bilhetes para o museu podem ser adquiridos no local e custam 1 euro para as crianças e estudantes, 1,50 euros para os seniors e 3 euros o bilhete normal.

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