O Rock Regressou Em Força Ao Reverence Valada

Decorreu nos dias 8, 9 e 10 de setembro a 3ª edição do Festival Reverence Valada, no Parque de Merendas na aldeia do Ribatejo. Um festival que se constrói de bandas menos conhecidas, e que tem permitido a sua vinda a Portugal pela primeira ou segunda vez.

Com novidades no recinto, este festival continua a marcar a diferença e pela originalidade do espaço onde decorre assim como pela seleção particular e única das bandas que acolhe. O público que se desloca a este festival busca novidades musicais dentro de estilos próprios ou segue aquela banda com frivolidade, desmaterializando um espírito meramente festivaleiro. No recinto, a destacar os seus três palcos habituais, dois deles mais homogéneos, e a sequência musical dos dias que permitiu ao público seguir o cartaz de forma pura sem interferências das sonoridades de um palco para outro.

A destacar algumas alterações ao longo dos dias no cartaz divulgado e distribuído, que levou a algumas confusões do público que vagueava e questionava sobre “quem e onde agora a tocar”. Ainda sobre o recinto, acolhia também uma feira de artesanato maior e uma oferta de alimentação menos tradicional que nas edições anteriores, sem o vinho da região ou o porco no espeto da primeira edição. Continua a ser um recinto em que todos vagueiam sem filas, caminhando sem pressas, assistindo a um cartaz de concertos de sets de quarenta e cinco minutos em que o rio, o ar do campo e o ambiente calmo se tornam cenários para que a boa música reine.

Com a qualidade e originalidade das escolhas musicais, correndo décadas, do metal ao funk, passando pelo rock psicadélico ao indie, este ano o cartaz não foi diferente. Foi sim a novidade do ano o palco Indiegente, que fez justiça ao que melhor se faz, produz e ouve em Portugal. Da responsabilidade de Nuno Calado, passaram por ali nomes como Miss Lava, Fast Eddie Nielson, Correia, no dia 9 de setembro, e no dia 10 destacaram-se Phantom Vision, Nicotine´s Orchestra e Flak. Para quem descansava nas mesas e bancos do parque no recinto, tinha próximo pela noite dentro este palco em que nomes como João Craveira, Pedro Chau e Kaleidoscope, lançavam sons que desafiavam os sempre resistentes a dançar até gastar as últimas energias.

No dia 9 de setembro, o palco Sontronics, foi invadido pelos Yawning Man, banda de stoner rock, inspiradora a outras projetos e os psicadélicos Dead Meadow, que felizmente para os seus fãs integraram o Valada numa viagem pela Europa no mês presente. Ainda no dia 9 a destacar um dos grandes nomes do cartaz – The Raveonettes. Estes experientes dinamarqueses do indie rock tocaram os seus mais recentes álbuns, mas não deixaram se surpreender as fileiras de fãs que os ouviram. O palco Sontronics teve o seu auge com The Brian Jonestown Massacre. Impossível não dançar e cantar ao som destes rapazes liderados por Anton Newcombe, que são uma banda de estrada há mais de duas décadas, que sabem estar próximos do público e atrair sempre novos fãs. Os mais aguardados do dia A Place to Bury Strangers surpreenderam os que desconhecem estes rapazes energéticos e mais uma vez entusiasmantes para quem os segue em palco e fora. Com o stock de guitarras esgotado à segunda música, o concerto decorreu mais de metade junto ao público, em frente à régie, rodeados de fãs que admiram os sons noise rock, caraterizados pela voz e guitarras e total irreverência nas músicas. Concerto memorável. A fechar a noite no Palco Rio os portugueses The Japanese Girl. Estes portugueses do norte que lançaram o seu álbum ainda recente conseguem um jogo de sons entre ritmos vintage, garage rock, envolvente e que merece ser aplaudido. Vamos ouvir e falar mais deles.

O dia 10 teve o recinto invadido pelos fãs incontornáveis do rock gótico que desfilaram num estilo próprio e aguardavam o nome mais sonante do dia: The Sister of Mercy. A destacar no dia 10 os portugueses The Quartet of Woah! que tocaram no palco Rio, substituindo ausências e que mereceram o lugar de destaque que lhes foi dado. Estes rapazes que têm apenas um álbum lançado deixaram alguma curiosidade com duas músicas novas para os fãs que já aguardam novo trabalho. O palco Sontronics foi abrilhantado pelo projeto Mécanosphére, com a já presença habitual neste festival de Adolfo Canibal. Os norte-americanos Nik Turner’s New Space Ritual tiveram o privilégio de tocar em ambos os palcos, mas foi no dia 10, palco Rio que tiveram maior plateia e seguidores. Nik Turner com uma nova formação encantou no seu space rock acompanhado do saxofone e das danças eróticas e envolventes de Miss Angel. Os aguardados da noite The Sister of Mercy não desiludiram os fãs ao vaguear pelos seus sucessos. O público envolvido numa atmosfera nebulosa e monocromática, acompanhou os sucessos “Temple of Love” e “Dominion/Mother Russia”. A banda testemunhou os seguidores em Portugal que a par da música seguem uma filosofia que simboliza a banda.

O Reverence tem um lugar de destaque entre os festivais portugueses. Há quem o indique como o melhor de entre os que por cá se organizam. Independentemente de opiniões o certo é que continua a trazer pela primeira vez nomes com fãs em Portugal que agradecem ao Festival e a cada pessoa que se desloca e desconhece sons que se ouvem em Valada por estas alturas, sai indubitavelmente mais rico. Espera-se que o caráter deste festival se mantenha!

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